<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[menina anita]]></title><description><![CDATA[oi, meu nome é anita e esse é o meu diário ♥︎]]></description><link>https://meninaanita.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!S5Fc!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F114310c0-0c57-42f0-9b93-4f19b3efd82b_635x635.png</url><title>menina anita</title><link>https://meninaanita.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Mon, 10 Aug 2026 19:24:47 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://meninaanita.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[menina anita]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[meninaanita@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[meninaanita@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[menina anita]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[menina anita]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[meninaanita@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[meninaanita@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[menina anita]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[#27 - não quero fazer nada]]></title><description><![CDATA[(n&#227;o quero fazer nada!!!!!)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/27-nao-quero-fazer-nada</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/27-nao-quero-fazer-nada</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 05 Aug 2026 22:54:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2f619361-f247-4a04-8f38-d927a9fb8f7d_500x270.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>oi, tudo bem? espero que sim. s&#243; vim pra dizer que n&#227;o quero fazer nada. nada, tipo <em>nada </em>mesmo.</p><p>e o que mais me irrita sobre isso &#233; que, no momento, &#233; uma verdade t&#227;o forte que me escapou pelos olhos de repente. pior que isso: me escapou pelos olhos na frente das pessoas. [suspiro]</p><p>fiz certo em n&#227;o esperar um milagre do dia dezesseis pra c&#225;, porque de fato esse milagre n&#227;o veio e eu ainda n&#227;o consegui sair da fase ruim de que tanto reclamei no texto anterior. entretanto, sinto que a tempestade passou, por sorte; o que n&#227;o anula o fato de que me sinto sem guarda-chuva no meio de uma garoa n&#227;o t&#227;o fina que n&#227;o passa por nada.</p><p>o dia em que chorei na frente das &#250;ltimas pessoas do mundo que eu queria que me vissem no meu estado mais deplor&#225;vel (estou sendo dram&#225;tica), foi o dia em que choveu mais forte e que mais houve raios e trov&#245;es. me senti encharcada e gelada at&#233; os ossos, mas eu entendo que precisava passar por aquele dia de chuvas agressivas e ventos avassaladores.</p><p>ainda sou a mesma de alguns meses atr&#225;s: n&#227;o gosto nem um pouco da sensa&#231;&#227;o de n&#227;o saber o que est&#225; acontecendo dentro de mim. mas, pelo menos, agora eu comecei a <em>tentar </em>dar nome aos bois e sigo <em>tentando </em>ter paci&#234;ncia comigo. pensar na garoa &#233; mais f&#225;cil que pensar num temporal.</p><p>em dias <em>chuvosinhos</em>,<em> </em>aqueles em que o mundo n&#227;o t&#225; caindo mas sair tamb&#233;m n&#227;o &#233; uma boa op&#231;&#227;o, eu gosto de ficar em casa e n&#227;o fazer nada. ent&#227;o d&#225; pra imaginar que, nesta presente fase chuvosa, eu tamb&#233;m n&#227;o queira fazer nada.</p><p>n&#227;o quero ir pra academia. n&#227;o quero trabalhar. n&#227;o quero sair. n&#227;o quero comer. n&#227;o quero assistir nada. n&#227;o quero fazer meus hobbies. n&#227;o quero ver gente. n&#227;o quero cozinhar. n&#227;o quero comer. n&#227;o quero dirigir&#8230; em resumo, n&#227;o quero fazer <em>nada </em>que exija o m&#237;nimo de mim.</p><p>finalmente reconheci os limites do meu corpo e da minha mente. parei de aceitar ir a dois ou tr&#234;s compromissos no mesmo dia; pedi dispensa de um dos meus cargos volunt&#225;rios para o ano que vem; decidi n&#227;o topar mais rol&#234;s no calor do momento sabendo que n&#227;o tenho dinheiro nem disposi&#231;&#227;o pra ir; estou reservando alguns momentos dos meus fins de semana agitados para ficar em casa deitada; entre outras coisinhas.</p><p>foi engra&#231;ado. achei que estava pensando nos outros enquanto estava &#8220;adiando&#8221; a conversa que teria sobre <em>dropar </em>meu cargo volunt&#225;rio em 2027, imaginando se deixaria muita gente na m&#227;o, se me julgariam por n&#227;o aguentar o tranco&#8230; mas o tempo todo a preocupa&#231;&#227;o era &#250;nica e exclusivamente &#8220;o que v&#227;o pensar de mim?&#8221;, quando meu corpinho e minha cabecinha pediam socorro.</p><p>ainda &#233; dif&#237;cil aceitar que n&#227;o consigo ter 100% de foco nas coisas, que minha mem&#243;ria continua t&#227;o boa quanto a da dory e que talvez eu n&#227;o esteja sendo capaz de fazer o meu melhor, <em>mas</em> <em>eu juro que t&#244; tentando </em>respeitar esse momento.</p><p>n&#227;o &#233; que eu <em>n&#227;o fa&#231;a nada</em>. o fato de n&#227;o querer fazer nada n&#227;o me isenta de obriga&#231;&#245;es e compromissos, claro. e, &#224;s vezes, quando sinto que estou levando a s&#233;rio demais a coisa de n&#227;o fazer nada e permanecer completamente inerte, eu me obrigo a fazer alguma coisinha, s&#243; pra n&#227;o deixar a poeira acumular ou nascer cogumelos em mim.</p><p>ainda me sinto mal por n&#227;o ser mais t&#227;o &#8220;eu mesma&#8221; quanto costumava ser, mas tamb&#233;m sei que preciso viver este momento. essa fase &#233; necess&#225;ria pra que eu possa, qualquer hora dessas, reagir e finalmente <a href="https://meninaanita.substack.com/p/26-ja-fui-mais-legal">arrumar o quarto.</a></p><p>houve uma &#233;poca na minha vida em que aconteceu uma pequena trag&#233;dia, epis&#243;dio este com o qual n&#227;o sei lidar muito bem at&#233; hoje. enfim, na &#233;poca em que tudo aconteceu, &#224;s vezes eu torcia pra chover. </p><p>entenda bem: chuva &#233; uma coisa boa. limpa o ar, faz as plantas ficarem verdinhas e crescerem fortes, &#233; fonte de &#225;gua para v&#225;rios animaizinhos, etc. mas tamb&#233;m devemos considerar que moro em s&#227;o paulo e que a chuva, muitas vezes, acaba sendo uma grande vil&#227;. tr&#226;nsito, alagamento, deslizamentos, gente chegando em casa com as meias molhadas&#8230; chuva por aqui &#233; complicado. <em>ainda assim</em>, muitas vezes eu me pegava torcendo pra chover.</p><p>e em muitas dessas vezes, eu s&#243; ficava ali, na chuva ou na garoa, sem guarda-chuva nem capa. eu apenas ficava ali, parada, fazendo nada. &#224;s vezes meus olhos enchiam, &#224;s vezes n&#227;o. mas eu ficava ali olhando pro nada, ouvindo alguma m&#250;sica. [vou deixar aqui a m&#250;sica que eu mais escutava naquela &#233;poca. mesmo sendo sobre amor, acho que parte da letra e a melodia traduzem bem o que eu sentia e &#224;s vezes ainda sinto. <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1VnjByC7TUx5A73A4qtgoo?si=3ccd63a46b334b26">epik high - &#50864;&#49328; (umbrella) ft. younha</a>]</p><p>eu n&#227;o sei o que eu esperava quando ficava ali tomando garoa na cabe&#231;a igual uma doida varrida. n&#227;o sei se eu esperava florescer ou dar frutos como as plantas, ou se esperava crescer como elas. n&#227;o sei se eu esperava que a dor fosse embora com a &#225;gua, ou mesmo se esperava me sentir viva ao ficar toda &#250;mida e com o cabelo horroroso. s&#243; sei que eu esperava algo e, na maioria das vezes, ficar na chuva me trazia respostas silenciosas e, aos poucos, colava meus pedacinhos de volta no lugar.</p><p>bem, amigos da rede <s>globo</s> substack, n&#227;o sei ao certo qual foi minha inten&#231;&#227;o ao escrever e postar isso. mas espero que ao menos sirva pra alguma coisa pra qualquer um de voc&#234;s.</p><p>dias <em>chuvosinhos e cinzentinhos e chatinhos</em> n&#227;o s&#227;o os melhores, mas espero que possamos aprender a aproveit&#225;-los tamb&#233;m. as flores precisam de chuva.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#26 - já fui mais legal]]></title><description><![CDATA[(um desabafo sobre nuvens cinzentas e quartos bagun&#231;ados)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/26-ja-fui-mais-legal</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/26-ja-fui-mais-legal</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Thu, 16 Jul 2026 03:41:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/df8ed489-221e-4416-946d-1067082182a7_1920x1018.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>n&#227;o &#233; dif&#237;cil pra mim reconhecer nem admitir que eu j&#225; fui uma pessoa mais legal.</p><p>e nem estou falando das mesmas coisas que tratei naquele texto &#8220;<a href="https://meninaanita.substack.com/p/23-bolos">#23 - bolos</a>&#8221;. at&#233; que tem um tiquinho a ver, mas n&#227;o &#233; isso.</p><p>olhar pro meu reflexo no espelho &#8212; seja do corpo, seja da alma &#8212; n&#227;o tem me agradado, e isso j&#225; tem um tempo. costumo brincar falando que estou <em>sem carisma</em>, que gastei toda a minha extrovers&#227;o nos &#250;ltimos anos e que a anita simp&#225;tica e soci&#225;vel tirou f&#233;rias por tempo indeterminado.</p><p>fa&#231;o essas brincadeiras o tempo todo, mas a realidade &#233; que pensar nisso me deixa triste. e se n&#227;o forem f&#233;rias por tempo indeterminado? ser&#225; que vou ser uma <em>nuvenzinha cinzenta</em> pra sempre? espero em Deus que n&#227;o.</p><p>j&#225; fui mais divertida. j&#225; fui mais bem-humorada. j&#225; tive uma mem&#243;ria de dar inveja. j&#225; fui muito forte fisicamente, sabia? j&#225; fui mais bonita tamb&#233;m. e j&#225; fui muito mais criativa. agora olho pra dentro e fico tentando achar esses peda&#231;os meus, me perguntando onde se esconderam ou se simplesmente sumiram. nunca sei se meu c&#233;rebro ficou l&#237;quido ou se eu, sem querer, o fritei.</p><p>talvez eu esteja num dia ruim. num m&#234;s ruim, ou um momento ruim de forma geral, sei l&#225;. o que me d&#243;i perceber &#233; que tirei f&#233;rias, fiz passeios legais, comi coisas deliciosas, vi pessoas que amo e fui a lugares lindos que me lembram da beleza de quem os criou, mas ainda me sinto esgotada. sei que quinze ou vinte dias n&#227;o fazem milagre na vida de ningu&#233;m, mas acho que no fundo eu esperava por algum tipo de m&#225;gica.</p><p>&#224;s vezes tor&#231;o pra compromissos serem desmarcados antes de eu sair de casa. &#224;s vezes penso em eu mesma desmarcar esses rol&#234;s. se eu contasse isso pra minha vers&#227;o de dois anos atr&#225;s, acho que ela ficaria embasbacada.</p><p>n&#227;o gosto de ser como estou agora. essa vers&#227;o sem energia, ruim de mem&#243;ria, confusa, perdida, pouco saud&#225;vel n&#227;o &#233; quem eu quero ser. especialmente porque ela me d&#225; <em>muito</em> medo. medo de afastar as pessoas, medo de deixar de viver momentos especiais, medo de decepcionar algu&#233;m, medo de pisar na bola no meu trabalho, medo de fazer alguma idiotice simplesmente por estar avoada&#8230; </p><p><em>ningu&#233;m</em> gosta de nuvens cinzas.</p><p>sinto que, no presente momento, me tornei um quarto que n&#227;o consigo arrumar. n&#227;o tenho certeza de onde as coisas est&#227;o. tem uma pilha de roupas que s&#243; cresce. acho que dormi em cima do meu carregador. por que tem um batom dentro do meu t&#234;nis? e, apesar de tudo, ficar no quarto bagun&#231;ado ainda parece mais seguro do que sair.</p><p>antes, quando eu ficava triste, conseguia usar essa tristeza pra escrever hist&#243;rias lindas. antes, quando sofria de amor, transformava essa dorzinha em detalhes ainda mais bonitos na minha escrita. agora, embora triste e sofrendo de amor, n&#227;o consigo escrever uma linha sequer.</p><p>talvez esteja enlouquecendo, ou sei l&#225;. tenho at&#233; medo de ter um piripaque, um burnout ou qualquer coisa do tipo. o que pensariam de mim?! que os c&#233;us me livrem de algu&#233;m pensar que n&#227;o dou conta do recado. acredito que eu s&#243; precise de um pouco de tempo. nunca consigo arrumar meu quarto se n&#227;o ficar uns bons minutos sentada na cama observando, pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo.</p><p>n&#227;o aceito ficar assim pra sempre. n&#227;o importa o qu&#227;o ruim sejam, chuvas fortes e tempestades <em>sempre </em>passam; e n&#227;o importa o tempo que leve, eu <em>sempre </em>arrumo o bendito quarto. s&#243; n&#227;o consigo fazer isso agora, agora. (pera l&#225; tamb&#233;m, n&#233;!)</p><p>portanto, eu prometo voltar a ser legal. n&#227;o vai chover pra sempre. e, aos poucos, tudo vai voltar pro devido lugar. por todas as pessoas que eu amo, mas principalmente porque acho que eu <em>me </em>devo essa.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#25 - pirralhos]]></title><description><![CDATA[(n&#227;o tem nada igual a ser amado por uma crian&#231;a)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/25-pirralhos</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/25-pirralhos</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Jul 2026 21:04:10 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f33ac5aa-d464-47f8-8580-a12f7b62358a_1920x998.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>muita gente n&#227;o &#233; f&#227; de crian&#231;as. n&#227;o mesmo.</p><p>enquanto alguns amam crian&#231;as, algumas pessoas s&#243; aturam, e outras ainda gostam apenas das crian&#231;as da pr&#243;pria fam&#237;lia, e olhe l&#225;. tem gente que trabalha com crian&#231;as mas n&#227;o gosta, ou deixou de gostar, e tamb&#233;m tem gente que de fato detesta crian&#231;as.</p><p>eu diria que <em>at&#233; entendo</em>. </p><p>elas podem at&#233; ser fofinhas, mas crian&#231;as exigem aten&#231;&#227;o, energia, dedica&#231;&#227;o, disponibilidade, tempo&#8230; s&#227;o coisinhas que custam caro, em v&#225;rios aspectos. algumas falam que &#233; uma beleza; outras s&#227;o caladas, mas compensam na energia infinita; e tem ainda aquelas que simplesmente s&#227;o o que chamamos de <em>pestinhas</em> (eufemismo). crian&#231;a cansa, n&#233;?</p><p>at&#233; quando crescem um pouco, crian&#231;as ainda d&#227;o trabalho. gastam nossa energia mental tentando provar que j&#225; s&#227;o grandinhas e independentes, para logo depois gastar nossa energia f&#237;sica provando que ainda fazem coisinhas de crian&#231;a. isso acontece desde que o mundo &#233; mundo, claro, mas continua sendo curioso para mim.</p><p>somando tudo, acho que j&#225; trabalho com crian&#231;as h&#225; uns oito anos. e trabalho volunt&#225;rio, t&#225;? pra maioria das pessoas isso &#233; papo de maluco. e talvez seja, mesmo. fora as vezes em que n&#227;o tive muita op&#231;&#227;o. </p><p>depois de uma experi&#234;ncia recente que tive, decidi que quero diminuir minha participa&#231;&#227;o nesse tipo de trabalho. quem acompanha este blog deve saber que j&#225; tem um <s>bom</s> tempo que n&#227;o estou no meu melhor, e pelo andar da carruagem parece que esse meu &#8220;melhor&#8221; vai demorar a voltar. percebo que meu estado de mente e esp&#237;rito tem afetado minha performance em todas as &#225;reas da vida, e &#233; claro que o trabalho volunt&#225;rio com menores de idade n&#227;o passaria ileso. crian&#231;a cansa.</p><p>dentre todas as coisas que se tornaram pesadas e cansativas pra mim, ter de lidar com as particularidades de cada crian&#231;a e, pior, <em>ter de lidar com os pais delas</em> se tornou algo de que reconhe&#231;o que preciso abrir m&#227;o. tem sido um caminho lento, dif&#237;cil e tortuoso, mas venho entendendo que cada passo na dire&#231;&#227;o do bem-estar &#233; valioso.</p><p>tudo isso pra dizer que eu tamb&#233;m n&#227;o sou a maior f&#227; desses pirralhos insuport&#225;veis. nunca fui nem nunca serei, e reconhe&#231;o isso.</p><p>no entanto, crian&#231;a &#233; bom. muito, muito, bom. s&#243; quem j&#225; foi amado por uma crian&#231;a sabe, e n&#227;o t&#244; nem falando de filhos e netos aqui.</p><p>ver a admira&#231;&#227;o nos olhinhos, o jeito como elas se impressionam com qualquer bobagem que fazemos e o apego que surge de repente&#8230; s&#227;o coisinhas t&#227;o valiosas.</p><p>receber um abra&#231;o sem motivo, um beijo na bochecha, um desenho, uma cartinha, um chocolate, um sorriso, uma risada, um elogio&#8230; s&#227;o as demonstra&#231;&#245;es mais sinceras que algu&#233;m poderia receber.</p><p>ao contr&#225;rio do que muitos dizem, h&#225; maldade nas crian&#231;as. algumas crian&#231;as s&#227;o ego&#237;stas, outras s&#227;o mentirosas, algumas gostam de destruir as coisas dos outros por divers&#227;o, outras s&#227;o agressivas&#8230; apesar disso &#8212; dessa faceta da natureza maligna e pecaminosa do ser humano que habita cada um de n&#243;s &#8212;, a pureza das crian&#231;as &#233; mais pura. a verdade delas &#233; mais verdadeira, o afeto &#233; mais afetuoso.</p><p>acredito mais facilmente num elogio de crian&#231;a que no de um amigo. amo receber abra&#231;os sinceros, e receber um abra&#231;o de crian&#231;a sem motivo aparente &#233; uma das coisas mais maravilhosas que existe. j&#225; conquistei a admira&#231;&#227;o e o carinho de crian&#231;as simplesmente por ser quem sou e gostar do que gosto; enquanto no mundo adulto eu me preocupo o tempo todo se v&#227;o me aceitar por ser <em>x</em> ou gostar de <em>y</em>.</p><p>talvez ser amada por crian&#231;as seja um bom motivo pra &#8220;subir a r&#233;gua&#8221; a respeito do tipo de amor que aceitamos receber. se elas aprendem a nos amar e admirar de cora&#231;&#227;o sem termos feito <em>absolutamente nada</em>, a ideia de &#8220;me esfor&#231;ar&#8221; para ser vista e amada, ou pior, <em>mudar </em>para tal, passa a parecer rid&#237;cula. </p><p>recebi um elogio muito fofo de uma crian&#231;a do nada na segunda-feira. h&#225; algumas semanas recebi um abra&#231;o de uma crian&#231;a que detesta contato f&#237;sico. e no fim de semana vi os olhos de uma crian&#231;a brilharem ao descobrir que eu sou f&#227; do artista tal. crian&#231;a &#233; muito bom.</p><p>voc&#234; pode at&#233; n&#227;o mudar de ideia sobre gostar de crian&#231;as, mas garanto que a vida fica um pouquinho melhor quando voc&#234; &#233; amado por pelo menos uma.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#24 - bala dura]]></title><description><![CDATA[(sobre o dia em que reaprendi a chupar bala e descobri algo sobre mim)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/24-bala-dura</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/24-bala-dura</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Tue, 02 Jun 2026 11:38:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0e18f725-58a3-4d6e-86f0-e17679fe3779_1200x675.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>eu nunca soube chupar bala.</p><p>balas mastig&#225;veis tudo bem, afinal s&#227;o <em>mastig&#225;veis</em>, mas as balas duras (ou &#8220;balas de vidro&#8221;, dropes, pastilhas) sempre foram um problema.</p><p>desde pequena eu mastigo balas duras. balas duras, pirulitos e at&#233; cubos de gelo, na verdade. nem mesmo os pirulitos com recheio de chiclete passaram ilesos &#8212; sempre comecei a mastigar bem antes de chegar ao meio.</p><p>no &#250;ltimo semestre de 2023 &#8212; tamb&#233;m conhecido como <em>meu &#250;ltimo semestre na faculdade </em>&#8212;, eu fiz restaura&#231;&#245;es de resina nos dentes. sempre mantive em dia a sa&#250;de bucal, mas por algumas quest&#245;es gen&#233;ticas <s>e por escovar meus dentes com &#243;dio,</s> acabei precisando das restaura&#231;&#245;es.</p><p>e, algumas poucas semanas depois, l&#225; estava eu: mastigando balas halls de uva verde em sequ&#234;ncia. olhando em retrospecto, meu choque por ter quebrado a resina de um dos dentes faz pouco ou nenhum sentido agora, visto que foram pelo menos quatro balas (risos). e l&#225; fui eu ao dentista novamente, e o problema foi magicamente resolvido.</p><p>n&#227;o fiquei &#8220;traumatizada&#8221;, mas fiquei um tempo consider&#225;vel apenas chupando balas duras em vez de mastig&#225;las, como deve ser. s&#243; que, como quase tudo na vida, uma hora eu esqueci e voltei a mastigar.</p><p>h&#225; pouco mais de uma semana (segunda-feira, 25) eu fui ao dentista de novo para alguns reparos nas resinas, e de novo fui lembrada pela dentista de <em>n&#227;o mastigar balas que n&#227;o sejam mastig&#225;veis</em>. digamos que, at&#233; o presente momento, tem dado certo.</p><p>o grande motivo de eu estar falando de tudo isso &#233; porque, naquela segunda-feira corriqueira, horas depois dos reparos, recebi uma bala dura ao sair do consult&#243;rio da fisioterapeuta. e, por mais que minha curt&#237;ssima paci&#234;ncia tenha sido posta &#224; prova durante os longos minutos em que me dediquei a prestar aten&#231;&#227;o e s&#243; chupar a bala em vez de destro&#231;&#225;-la, esse tempinho de concentra&#231;&#227;o que me obriguei a ter me fez perceber algo.</p><p>recentemente aconteceu algo bem inesperado comigo.</p><p>diferentemente de tudo que tinha acontecido at&#233; pouco tempo, fui vista n&#227;o s&#243; como uma op&#231;&#227;o, mas como a <em>favorita </em>de algu&#233;m.</p><p>uau&#8230; foi algo novo para mim. e surpreendente, o que &#233;, na verdade, meio triste.</p><p>por algumas semanas &#8212; talvez meses &#8212;, enquanto digeria todas as camadas da situa&#231;&#227;o, devo admitir que me encantou ser chamada de favorita. jamais tinha acontecido, ent&#227;o &#233; mais que &#243;bvio que eu ficaria feliz e at&#233; um pouco <s>muito</s> fren&#233;tica.</p><p>pra quem nunca teve nada, ser a favorita de algu&#233;m em meio a uma incerteza &#233; algo deslumbrante e grandioso. um &#8220;eu n&#227;o sei&#8221; &#233; sempre muito mais colorido e brilhante do que um &#8220;n&#227;o&#8221;. afinal, o &#8220;eu n&#227;o sei&#8221; nos mant&#233;m sentados na beirada da cadeira, tremendo uma das pernas e comendo as pelinhas da boca; enquanto o &#8220;n&#227;o&#8221; &#233; mais r&#225;pido, cir&#250;rgico e j&#225; faz a cruel gentileza de cauterizar qualquer esperan&#231;a.</p><p>mas n&#227;o demorou tanto at&#233; que o &#8220;eu n&#227;o sei&#8221; perdesse um pouco a cor.</p><p>e foi no carro, voltando para casa depois do rpg (reeduca&#231;&#227;o postural global, para evitar que pensem que estou falando de <em>dungeons &amp; dragons</em> ou <em>ordem paranormal</em>), que aprendi algo novo sobre mim.</p><p>foi no carro, ouvindo the cranberries e me dedicando a <em>s&#243; chupar a bala</em> em vez de mastig&#225;-la, que descobri que eu n&#227;o quero ser a favorita de ningu&#233;m.</p><p>n&#227;o entenda errado, ok? eu gostei de ser a favorita. foi algo diferente, divertido e bem gostoso de se viver. durante aquele curto per&#237;odo, me senti genuinamente honrada por finalmente ser a favorita de algu&#233;m. mas essa curta experi&#234;ncia foi  o suficiente para eu entender que, na verdade, nunca foi isso que eu quis.</p><p>para algu&#233;m que nunca teve nada, talvez eu esteja sendo ambiciosa. mas fato &#233; que eu n&#227;o quero ser a favorita, porque estar na posi&#231;&#227;o de favorita vem junto com ter de considerar que existem outras op&#231;&#245;es. um favorito n&#227;o &#233; um favorito se n&#227;o houver outros objetos de compara&#231;&#227;o, se pensarmos bem. </p><p>e &#233; por isso que, chupando aquela bala ice kiss de morango, olhando em meus pr&#243;prios olhos no retrovisor, entendi que n&#227;o quero mesmo ser a favorita. <em>quero ser a &#250;nica.</em></p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#23 - bolos]]></title><description><![CDATA[(quando uma pergunta boba me fez refletir sobre quem eu tenho sido)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/23-bolos</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/23-bolos</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 20 May 2026 03:00:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8fc4aebc-f4d6-44b6-a871-b6eaa7bca5ca_640x346.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>certo dia, num daqueles apps de perguntas an&#244;nimas, algu&#233;m gastou um tempinho para me enviar a seguinte pergunta:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: center;"><em>vc &#233; do tipo q faz bolo pra todo mundo?</em></p></div><p>a pergunta me fez inclinar a cabe&#231;a e fazer uma careta esquisita. que tipo de pergunta foi essa? o que essa pessoa quis dizer com isso? o que significa ser algu&#233;m '&#8220;do tipo que faz bolo pra todo mundo&#8221;? ou, melhor, eu tenho passado a <em>vibe</em> de uma pessoa que faz bolo pra todo mundo?</p><p>entretanto, o mais engra&#231;ado dessa hist&#243;ria &#233; o fato de que eu respondi. disse que achava a pergunta muito espec&#237;fica, mas que, <em>sim</em>, curiosamente sou do tipo que faz bolo pra todo mundo. depois a pessoa perguntou qual bolo eu mais gostava de fazer e tal, mas n&#227;o &#233; disso que vim falar.</p><p>recentemente, por exemplo, alguns dias depois do meu anivers&#225;rio, eu trouxe peda&#231;os de dois tipos de bolo e deixei para os meus colegas de trabalho. por alguns anos, fiz cookies com certa frequ&#234;ncia e sempre compartilhava com vizinhos e colegas de trabalho, e fiz o mesmo com bolos e outras comidinhas. tem mil&#234;nios que n&#227;o fa&#231;o os famosos cookies, ent&#227;o fiquei muito satisfeita de poder compartilhar um pouco dos meus bolos com eles na segunda-feira.</p><p>confesso, por&#233;m, que j&#225; tive mais tempo e mais disposi&#231;&#227;o pra ser a menina que faz bolos, cookies, tortas e outras coisinhas sem ter um evento ou motivo especial para tal. eu acabo ficando meio esbaforida quando fa&#231;o receitas grandes, mas sempre fico derretida de felicidade quando vejo algu&#233;m feliz por receber alguma coisinha gostosa.</p><p>a verdade &#233; que n&#227;o sei mais se eu mudei ou se uma parte de mim s&#243; est&#225; adormecida, em stand-by. ser&#225; que nunca mais vou ter tempo e disposi&#231;&#227;o pra fazer bolos pras pessoas sem motivo aparente? ou ser&#225; que em algum momento esse peso esmagador e paralisante que sinto sobre mim vai sumir e vou poder fazer bolos, doces, farofas e sei l&#225; o que mais?</p><p>uma cantora da qual n&#227;o sou grande f&#227; um dia escreveu que quem &#233; um amigo para todos, n&#227;o &#233; amigo para ningu&#233;m (tradu&#231;&#227;o livre que fiz pra voc&#234;s entenderem aonde quero chegar). eu particularmente n&#227;o concordo com isso, porque tenho muitos amigos &#8212; mais do que deveria, e amigos demais para o meu pr&#243;prio bem &#8212;, e at&#233; hoje nunca ouvi de ningu&#233;m que sou uma amiga ruim, at&#233; quando eu duvidei e perguntei.</p><p>contudo, preciso concordar que n&#227;o sou mais t&#227;o presente quanto gostaria&#8230; e eu talvez (com certeza) tenha agora menos paci&#234;ncia do que j&#225; tive. parei pra pensar e talvez eu n&#227;o seja mais a boa amiga que costumava ser, ou pelo menos n&#227;o no n&#237;vel ao qual todos, incluindo eu mesma, estavam acostumados.</p><p>me sinto exausta, esgotada. falo disso o tempo todo na terapia, mas quando acabo falando sobre com algum amigo, fico receosa. ser&#225; que estou sendo chata? repetitiva? ser&#225; que v&#227;o pensar que t&#244; me fazendo de coitada? e se pensarem que n&#227;o podem mais contar comigo?</p><p>odeio parecer fr&#225;gil, por mais que o seja. j&#225; que sou, o jeito &#233; ser&#8230; mas eu n&#227;o queria ser. queria continuar sendo a pessoa que faz bolo pra todo mundo. a pessoa que &#233; pau pra toda obra. a amiga presente que sempre d&#225; um jeitinho de ajudar ou escutar. </p><p>mas aprendi bem cedinho que querer n&#227;o &#233; poder.</p><p>no meio desses altos e baixos &#8212; mais baixos que altos, por culpa da minha pr&#243;pria mente &#8212;, acho que seria legal se algu&#233;m me aparecesse com um bolo bem gostoso.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#22 - "novo"]]></title><description><![CDATA[(quando o novo &#233;, na verdade, mais do mesmo)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/22-novo</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/22-novo</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 22 Apr 2026 16:50:40 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/141b7bc3-a25b-42ba-9dc8-75f7b2d2a567_640x344.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#233; t&#227;o estranho como tudo de novo que acontece &#233;, na verdade, uma repeti&#231;&#227;o de algo que j&#225; aconteceu.</p><p>normalmente eu j&#225; estaria atenta e na defensiva, porque estou acostumada com essas mesmas coisas acontecendo com intervalos variados de tempo.</p><p>dessa vez, por&#233;m, as coisas se deram de uma forma t&#227;o diferenciada que nem suspeitei que seria mais do mesmo. todavia, ainda n&#227;o entendi bem se fechei os olhos e me deixei levar ou se me convenceram a ser levada.</p><p>come&#231;ou diferente &#8212; diferente <em>mesmo</em> &#8212; e logo coisas bem diferentes aconteceram. pareceu t&#227;o novo, t&#227;o interessante, t&#227;o legal&#8230; </p><p>e era. ainda &#233;, eu diria. s&#243; passei a acreditar que n&#227;o &#233; pra mim, por mais que n&#227;o tenha conseguido me desapegar completamente da ideia.</p><p><em>pela segunda vez na vida</em>, gostaria que algum amigo amargo com a vida tivesse me desincentivado.</p><p>eu sempre gostei de tentar coisas novas, e nunca fui muito do tipo de abandonar f&#225;cil, mas nem tudo de novo que tentei foi pra frente. acredito que seja o caso aqui.</p><p>tentar coisas novas &#233; divertido e traz cores diferentes pra nossa vida. &#224;s vezes pegamos o jeito e a coisa nova se torna parte do nosso dia a dia, parte de quem somos; &#224;s vezes n&#227;o somos t&#227;o bons naquilo ou n&#227;o temos todos os recursos, mas nasce um apego e transformamos num hobby espor&#225;dico. no entanto, <em>&#224;s vezes</em>, por mais doloroso e chato que seja, temos que reconhecer quando algo n&#227;o &#233; pra gente.</p><p>jardinagem n&#227;o &#233; pra mim. gosto de auxiliar as pessoas com quem moro e acho lindo, mas depois de matar duas (2) bonsais, nunca mais quis tentar de novo. </p><p>percebi que, por mais que adore tentar, n&#227;o sou muito boa em pintura e desenho, ent&#227;o para n&#227;o abandonar de vez, aceitei minha mediocridade como artista visual e, a cada mil anos, invisto um tempinho nisso.</p><p>croch&#234; e costura? eu tentei t&#227;o pouco que teria vergonha de dizer que desisti. tenho que tentar de novo antes de decidir se &#233; ou n&#227;o pra mim. a ideia de criar coisas bonitas, vis&#237;veis e palp&#225;veis &#8212; bem mais que qualquer hist&#243;ria minha &#8212; me &#233; muito agrad&#225;vel pra desistir sem nem tentar de verdade.</p><p>sendo assim, eu me considero boa em reconhecer essas coisas e condi&#231;&#245;es. por isso, mesmo que o caso em quest&#227;o tenha come&#231;ado e se desenvolvido de forma diferente, lembro <em>muito bem</em> da &#250;ltima vez que me decepcionei com algo assim t&#227;o fortemente. tamb&#233;m come&#231;ou diferente, tamb&#233;m parecia promissor. </p><p>era inebriante porque parecia certo, pela primeira vez em um bom tempo, mas era amedrontador, porque era completamente in&#233;dito. at&#233; que os filtros foram removidos e a realidade veio &#224; tona: era mais do mesmo. <em>de novo.</em> e n&#227;o era pra mim.</p><p>e &#233; a mesma coisa com o que est&#225; acontecendo agora.</p><p>eu queria, e queria muito. c&#233;us, como queria&#8230; </p><p>acho que j&#225; me machuquei nesse processo. acho, n&#227;o &#8212; eu sei. fingir que n&#227;o me importo de ter que abrir m&#227;o de algo que queria muito tentar e ir mais a fundo n&#227;o tem qualquer utilidade sen&#227;o tentar convencer a mim mesma de que n&#227;o me importo (uma mentira deslavada).</p><p>n&#227;o tenho o intento, por&#233;m, de desistir de todas as coisas novas, mesmo sendo uma desistidora cr&#244;nica. &#233; meio chato perceber que a vida funciona em ciclos, e &#233; uma pena ter percebido isso ainda t&#227;o jovem, inexperiente e perdida, sem d&#250;vidas. mas tamb&#233;m seria muito chato da minha parte me fechar pra tudo que h&#225; de novo l&#225; fora.</p><p>tudo se faz novo a cada manh&#227;, ou pelo menos &#233; o que algu&#233;m muito s&#225;bio um dia me disse.</p><p>ainda n&#227;o me desapeguei totalmente da ideia, afinal &#233; da minha natureza ser teimosa. talvez a ci&#234;ncia de que &#233; melhor deixar de lado ainda machuque, mas n&#227;o vai machucar mais do que quebrar a cara de novo. preciso acreditar mais em mim e preciso, na mesma medida, me dar menos cr&#233;dito. <s>(para os amigos: &#224;s vezes palavras dif&#237;ceis de dizer podem ser mais ben&#233;ficas do que um &#8220;voc&#234; &#233; incr&#237;vel, anita! vai l&#225; e arrasa&#8221;.)</s></p><p>desistir nem sempre &#233; ruim. &#224;s vezes faz bem, especialmente quando o osso que n&#227;o largamos gera ang&#250;stia e faz do nosso sorriso algo pouco verdadeiro. </p><p>n&#227;o desista dos seus sonhos nem dos seus objetivos, est&#225; bem? n&#227;o &#233; isso que estou dizendo aqui. o que quero dizer &#233; apenas que devemos tomar cuidado e reconhecer quando algo traz mais frustra&#231;&#245;es do que alegrias. em alguns casos ser&#225; quest&#227;o de resili&#234;ncia e supera&#231;&#227;o, mas em outros seremos apenas n&#243;s batendo na mesma tecla, correndo em volta do pr&#243;prio rabo e andando em c&#237;rculos.</p><p>cuide-se.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#21 - sobre mudanças]]></title><description><![CDATA[(ou: sobre mudan&#231;as e minha imensa dificuldade em lidar com elas)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/21-sobre-mudancas</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/21-sobre-mudancas</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Tue, 31 Mar 2026 14:04:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fab45f4d-b5d2-4183-a79f-7e2ef9f67e3c_1650x881.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>oi, eu odeio mudan&#231;as.</p><p>poderia parar por aqui j&#225; que &#233; verdade e que n&#227;o pretendo desconstruir tal ideia neste texto, mas quero falar um pouquinho a respeito disso.</p><p>recentemente, completei mais um ano de vida. particularmente, sempre adorei fazer anivers&#225;rios, mas desde os meus 15 anos, anivers&#225;rios trazem um misto de emo&#231;&#245;es. &#233; muito bom celebrar a vida, ser parabenizado e ter a sensa&#231;&#227;o de que &#8220;um novo ciclo se inicia&#8221;, como dizem por a&#237; na internet.</p><p>desde os 15, por&#233;m, tem sido algo meio doce e amargo. aos 15 eu percebi que crescer n&#227;o era assim <em>t&#227;o legal</em> quanto parecia &#8212; o ensino m&#233;dio chegou, meu relacionamento com a minha fam&#237;lia ficou mais intenso (adolesc&#234;ncia, voc&#234;s sabem), minha rela&#231;&#227;o comigo mesma ficou um caos. enquanto meus colegas e amigos estavam doidos pra conhecer a &#8220;liberdade&#8221; que viria com os 18, 20, 25, eu s&#243; queria me esconder e permanecer crian&#231;a. <s>ainda quero.</s></p><p><em>tudo </em>come&#231;ou a mudar. ningu&#233;m mais queria brincar, s&#243; queriam saber de namoricos. tive atritos com algumas amizades, que jamais voltaram a ser as mesmas. comecei a gostar de coisas que at&#233; hoje definem minha personalidade. comecei a amadurecer espiritualmente. vivi as primeiras crises s&#233;rias de identidade. passei a ter menos tempo. tive que largar os livros que eu amava ler pra ler os cl&#225;ssicos; afinal, os vestibulares estavam &#224; espreita.</p><p>lembro de uma das &#250;ltimas vezes que brinquei de boneca.</p><p>na verdade, levamos <em>tanto tempo</em> organizando o cen&#225;rio, as roupinhas e a hist&#243;ria que, na hora de brincar, acabou sendo tudo meio apressado e logo perdeu a gra&#231;a. se eu soubesse, por&#233;m, que aquela seria talvez a &#250;ltima vez que eu brincaria de boneca, teria feito durar muito mais.</p><p>fui a &#250;ltima da sala a escolher o curso que queria prestar, e tamb&#233;m fui a pessoa que mais chorou quando o fim do &#8220;terceir&#227;o&#8221; come&#231;ou a se aproximar. a adolesc&#234;ncia foi extremamente ca&#243;tica, e v&#225;rias daquelas pessoas na escola nem eram t&#227;o minhas amigas assim, mas sinto falta da bagu&#231;a durante aqueles anos &#8212; <em>quando qualquer coisinha parecia o fim do mundo, mas ainda assim era a melhor das vidas.</em></p><p><s>estou escrevendo isso com os olhos marejados.</s></p><p>minha entrada na faculdade foi s&#250;bita, um verdadeiro susto. do nada, antes do segundo semestre come&#231;ar, eu j&#225; tinha um est&#225;gio, que logo virou um emprego. e com todas as mudan&#231;as, veio a gastrite, mais ansiedade e um pouco de queda de cabelo.</p><p>e&#8230; quando comecei a me adaptar: P&#193;! <em>pandemia</em>.</p><p>mais ansiedade, depress&#227;o, isolamento, medos, perdas irrepar&#225;veis, saudades eternas. <em>muitos </em>quilos a mais. o cabelo que perdi e nunca recuperei. <em>mais gastrite.</em></p><p>a pandemia foi caminhando pro fim e vieram mais mudan&#231;as, mais responsabilidades, mais compromissos&#8230; mais de tudo. fui aprendendo a dan&#231;ar essa coreografia maluca e at&#233; hoje acho que n&#227;o consegui dominar. o que me tranquiliza &#233; o fato de que <em>ningu&#233;m </em>realmente a domina &#8212; tudo muda todo dia.</p><p>apesar disso, tenho tantas mem&#243;rias maravilhosas que nem conseguiria contar. n&#227;o consigo esquecer de todas as coisas que me feriram, mas todo dia escolho lembrar e dar mais &#234;nfase pra tudo que me fez sorrir, chorar de alegria ou ent&#227;o rir at&#233; a barriga doer. coisas estas que, em parte, vieram com as mudan&#231;as.</p><p><em>mas eu ainda n&#227;o gosto de mudan&#231;as.</em></p><p>fico triste quando pintam paredes, quando mudam m&#243;veis. hoje, uma das pessoas com quem moro foi levar o carro para um poss&#237;vel comprador e avisou que &#233; poss&#237;vel que j&#225; volte sem ele. e eu quase chorei. n&#227;o pelo carro em si, claro, mas pelas mem&#243;rias &#224;s quais atrelo aquele autom&#243;vel cinza-escuro.</p><p>ser&#225; que um dia vou aprender a lidar com mudan&#231;as? temo que n&#227;o, mas talvez seja apenas parte de quem eu sou. sempre brinco dizendo que vou come&#231;ar a fingir que amo mudan&#231;as e lido bem com elas, pra ver se param de acontecer.</p><p>n&#227;o h&#225; muito o que fazer. aceito-as, mesmo n&#227;o gostando delas. &#8220;ah, mas vai trazer coisas boas!&#8221; <em>e da&#237;?</em> n&#227;o perguntei nada! n&#227;o gosto e pronto.</p><p>ainda sou nova, mas &#224; medida que envelhe&#231;o entendo que quase tudo est&#225; fora do meu controle, que um dia a vida &#233; de um jeito e no outro muda, e que n&#227;o existe mesmo viagem no tempo (uma pena, na minha opini&#227;o.)</p><p>independente do que sentimos em rela&#231;&#227;o a elas, &#233; melhor aceitar as mudan&#231;as. na maioria das vezes d&#243;i ou causa inc&#244;modos <em>bem chatinhos</em>, mas faz parte, e assim vamos seguindo.</p><p>me obrigo a acreditar nisso enquanto, no fundo, sei que s&#243; queria brincar de boneca de novo.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#20 - sobre trabalhar realizando meu sonho pros outros]]></title><description><![CDATA[(um texto que t&#244; ensaiando h&#225; meses pra postar)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/20-sobre-trabalhar-realizando-meu</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/20-sobre-trabalhar-realizando-meu</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Sat, 14 Mar 2026 13:30:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/80073f80-e63f-4cdc-83e1-e6c6e3a85da6_1920x1155.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>esse desabafo est&#225; fermentando na minha mente h&#225; longos meses. criou limo e ficou at&#233; meio amarelado de tanto tempo que passou escondido, quase um maracuj&#225; na gaveta. <em>mas</em> criei meu substack com intuito de fazer dele o meu di&#225;rio, ent&#227;o acho que j&#225; chega de cortar minhas pr&#243;prias asinhas.</p><p>pra uma pessoa t&#227;o extrovertida e falante, muitas vezes me considero uma pessoa um tanto amarga com a vida. quem se considera muito realista &#233;, na verdade, um pessimista moderado (eu). recentemente disse a uma amiga que sou uma desistidora cr&#244;nica, e &#233; mais verdadeiro do que eu gostaria de admitir.</p><p>por que? por uma s&#233;rie de motivos. n&#227;o gosto de admitir a maioria deles, s&#243; que o maior de todos &#233; o fato de ter passado os &#250;ltimos anos da minha curta vida realizando meu pr&#243;prio sonho pros outros.</p><p>&#233; estranho, mas depois de muitas conversas e muita terapia, entendi que n&#227;o &#233; &#8220;inveja&#8221;. como eu disse no texto &#8220;<a href="http://meninaanita.substack.com/p/9-maldita-inveja-santa">#9 - maldita inveja santa</a>&#8221;, n&#227;o &#233; o sentimento de querer usurpar; &#233; apenas o desejo profundo de querer <em>ter tamb&#233;m</em>. foi e ainda &#233; extremamente custoso entender que &#233; um sentimento v&#225;lido, afinal eu adoro me convencer de que sou a pior pessoa do mundo.</p><p>n&#227;o me leve a mal &#8212; eu <em>amo </em>meu trabalho. tem me deixado meio louca, exausta e com a pele horr&#237;vel, mas eu amo meu trabalho (sem qualquer ironia).</p><p>entretanto, meu trabalho roubou <s>muito</s> um pouco do meu amor pela leitura &#8212; h&#225;bito este que venho tentando recuperar pra valer nos &#250;ltimos tempos &#8212;, e se voc&#234; pegou a refer&#234;ncia da imagem que escolhi pra este texto, sabe bem as consequ&#234;ncias de pegar algo de que voc&#234; gosta muito / algo em que &#233; bom e transformar este algo em trabalho.</p><p>algumas das poucas pessoas que leem essa newsletter sabem (favor n&#227;o comentar nada que entregue minha identidade!! kkkk) que trabalho com livros. &#233; algo que eu amo, que considero nobre e demasiado satisfat&#243;rio em v&#225;rios aspectos. se poss&#237;vel, pretendo continuar trabalhando com isso enquanto a vida permitir.</p><p><em>no entanto,</em> tornou-se um pouco doloroso ajudar a realizar o sonho das pessoas sem poder fazer nada pelo meu. </p><p>publiquei um conto numa antologia (e-book), e acho que consigo contar nos dedos de <em>uma m&#227;o</em> as pessoas que eu conhe&#231;o que leram. depois, fiz minha primeira publica&#231;&#227;o solo independente (e-book tamb&#233;m). e, depois de literais dois anos, a maioria dos meus amigos e familiares ainda n&#227;o leu. <s>e nem vai.</s></p><p>a princ&#237;pio eu associava isso totalmente ao fato de que muita gente n&#227;o aderiu ao kindle e outros e-readers, mas teve gente que leu meu livro pelo celular. acredito que, se imprimir o livro, provavelmente mais amigos, familiares e conhecidos ler&#227;o, sem sombra de d&#250;vida. contudo, o tempo passou e eu entendi que o problema n&#227;o &#233; esse. <em>apoiar </em>&#233; custoso demais pra maioria das pessoas.</p><p>por uma s&#233;rie de motivos, diria que estou vivendo no tempo das vacas magras. as pessoas que moram comigo me incentivam a imprimir o tal do livro, mas depois de pedir dinheiro emprestado pra elas uma por&#231;&#227;o de vezes, sinto que seria injusto com elas fazer esse investimento agora, apesar de todo o incentivo.</p><p>ser escritor n&#227;o &#233; f&#225;cil e quase ningu&#233;m vive disso. ser publicado por uma editora n&#227;o muda este fato e eu sei muito bem. &#233; s&#243;&#8230; a possibilidade das hist&#243;rias irem mais longe, sabe? de chegarem at&#233; pessoas que jamais teriam ouvido falar de mim se n&#227;o fosse o objeto de papel nas m&#227;os delas.</p><p>escrevi um trecho de uma hist&#243;ria ontem. foi a primeira vez que consegui mexer numa hist&#243;ria em 8 meses, sem exageros. a &#226;nsia de ter e a impossibilidade de alcan&#231;ar aos poucos mataram toda a inspira&#231;&#227;o dentro de mim, junto com o cansa&#231;o e uma porrada de problemas de sa&#250;de, entre outras coisas.</p><p>ouvi de uma pessoa que admiro que minha hist&#243;ria publicada n&#227;o tem l&#225; nada de muito especial; que &#233;, em certo sentido, mais do mesmo. <em>talvez</em> a pessoa esteja certa e, se me lembro bem, disse isso para me incentivar a criar algo novo de verdade. mas isso tamb&#233;m me fez travar. </p><p>nunca mais consegui escrever nada. perdi a coragem de enviar minha hist&#243;ria pra alguma editora. me pergunto todo dia se deveria reescrever tudo. talvez, se for mesmo imprimir um dia, fa&#231;a uma bela edi&#231;&#227;o em vez de s&#243; revisar. nunca tive muita, mas acho que perdi a f&#233; em mim.</p><p>desisti e desisti de desistir in&#250;meras vezes. no momento, estou num dilema, mas a verdade &#233; que <em>n&#227;o quero </em>desistir. n&#227;o ainda.</p><p>ainda quero conhecer a sensa&#231;&#227;o de ver um livro meu ser divulgado com todo o profissionalismo de uma editora. quero conhecer a sensa&#231;&#227;o de ler o coment&#225;rio de um completo desconhecido dizendo que minha hist&#243;ria foi a mais legal que j&#225; leu at&#233; ali. quero conhecer a sensa&#231;&#227;o de pegar um livro meu &#8212; feito de papel &#8212; nas m&#227;os.</p><p>quero conhecer essas sensa&#231;&#245;es que eu humildemente ajudo a tornar poss&#237;veis para autores espalhados pelo brasil. quero conhecer essas sensa&#231;&#245;es que meu trabalho, mesmo que de forma bem sutil, ajuda a proporcionar.</p><p>o sorriso dos autores que realizam os sonhos que eu e meus colegas trabalhamos duro para tornar poss&#237;veis me deixa genuinamente contente. &#233; lindo de se ver, ainda mais se vier acompanhado de l&#225;grimas de alegria.</p><p>ser&#225; que, um dia&#8230;</p><p><em>n&#227;o sei.</em> esse texto j&#225; ficou triste, comprido e tedioso demais.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#19 - tempo pra gastar tempo]]></title><description><![CDATA[(sobre perceber que nem todo compromisso importante &#233; essencial)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/19-tempo-pra-gastar-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/19-tempo-pra-gastar-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Fri, 06 Mar 2026 18:50:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fa11d15f-836b-42f7-9982-f46d5f062859_1068x585.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>a &#250;nica coisa que eu realmente vivencio dos filmes de romance sobre mulheres bem-sucedidas dos anos 2000 &#233; a agenda cheia.</p><p>meu calend&#225;rio tem&#225;tico de uma personagem da sanrio tem tantos compromissos anotados dentro dos quadradinhos que nem sei mais. e ainda fico chateada quando uso a cor de caneta errada.</p><p>tem uma coisinha ou outra que penso &#8220;ser&#225; que anoto?&#8221;, mas acabo anotando, porque <em>sei </em>que vou esquecer. nunca estive t&#227;o esquecida na vida.</p><p>sei que n&#227;o &#233; o caso, mas me sinto relapsa. tenho me esfor&#231;ado bastante pra manter tudo em ordem, anotar tudo, fazer tudo, comparecer a tudo, mas tenho falhado aqui e ali. calend&#225;rio, planner, anotar na m&#227;o e meu pr&#243;prio contato como &#8220;notas&#8221; no whatsapp n&#227;o t&#234;m sido o suficiente.</p><p>&#224;s vezes parece que meu c&#233;rebro est&#225; fritando, em curto-circuito. &#224;s vezes, parece que ele est&#225; derretido e se eu virar de lado vai escorrer pelo meu ouvido. e de vez em quando parece que ele nem est&#225; aqui.</p><p>ser&#225; que meu armazenamento est&#225; chegando no fim? ser&#225; que j&#225; acabou e eu nem vi? eu tinha certeza que dois terabytes de mem&#243;ria eram o suficiente.</p><p>tenho t&#227;o pouco tempo que tudo que eu queria era <em>ter tempo pra gastar tempo &#224; toa. </em>tempo pra poder ver uma s&#233;rie boba; tempo pra poder olhar pro nada; tempo pra poder levar o carro pra lavar e ficar sentada olhando; tempo pra contemplar a natureza&#8230; tempo pra me divertir sem ficar o tempo todo pensando nas milhares de coisas que tenho pra fazer.</p><p>trabalho, fisioterapia, academia, reeduca&#231;&#227;o postural, terapia, amigos, compromissos de fam&#237;lia, reuni&#245;es, workshops&#8230; <em>catapimbas</em>. n&#227;o era isso que eu imaginava quando era pequena e pensava que parecia legal ser uma mulher profissional e superocupada.</p><p>hoje dei o dif&#237;cil passo de dizer que n&#227;o irei a um compromisso importante.</p><p>&#233; um compromisso e &#233; importante, de fato, mas em primeiro lugar eu nem tinha confirmado que ia. em segundo, eu <em>preciso </em>descansar at&#233; mais tarde no s&#225;bado. sinto que, se acordar cedo sem ser num dia &#250;til mais uma vez, vou explodir.</p><p>as pessoas com quem moro podem acabar inventando algo para fazermos mais tarde, ou ent&#227;o optar pelo cl&#225;ssico s&#225;bado em casa com almo&#231;o saindo quase &#224;s tr&#234;s da tarde e televis&#227;o ligada o dia inteirinho. seja o que for, contanto que eu n&#227;o tenha que dirigir, nem tomar decis&#245;es e nem prestar aten&#231;&#227;o, parece &#243;timo.</p><p>pra uma pessoa que j&#225; &#8212; mais de uma vez &#8212; compareceu a quatro compromissos num dia s&#243;, &#233; muito dif&#237;cil avisar que n&#227;o poder&#225; ir. sempre foi dif&#237;cil pra mim, e fico me sentindo mal mesmo que seja sempre por um bom motivo. </p><p><em>dessa vez, por&#233;m,</em> meu bom motivo &#233; o simples fato de que estou exausta em todos os aspectos poss&#237;veis, e &#233; uma das raras vezes em que n&#227;o me sinto mal por isso. acho que, de alguma forma, meu corpo e minha mente entraram em consenso pra dizer &#8220;ufa!!!! obrigada, menina anita&#8221;.</p><p>por mais que eu tenha relatado que n&#227;o consigo entender o que vem se passando dentro de mim j&#225; h&#225; um tempo, acho que de vez em quando meu ser integral consegue dar alguns gritos que ultrapassam todas as barreiras. e eu me sinto muito grata por isso.</p><p>amanh&#227; &#233; s&#225;bado, e vai ser um prazer n&#227;o dar um m&#237;sero sinal de vida at&#233; as onze da manh&#227;, <em>pelo menos.</em></p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#18 - cima é baixo]]></title><description><![CDATA[(n&#227;o sei lidar com minhas pr&#243;prias mudan&#231;as de humor &#8212; se &#233; que s&#227;o s&#243; isso)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/18-cima-e-baixo</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/18-cima-e-baixo</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 25 Feb 2026 02:26:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/36ee4fa8-75fd-462f-b0e7-bd9c86a9cd76_1355x717.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>n&#227;o gosto nem um pouco da sensa&#231;&#227;o de n&#227;o saber o que est&#225; acontecendo comigo. n&#227;o por fora &#8212; <em>dentro de mim.</em></p><p>n&#227;o raro me sinto desconectada do ambiente onde me encontro, me perco no meio das vozes das pessoas, mas n&#227;o &#233; disso que falo. venho, em v&#225;rias ocasi&#245;es, me sentindo desconectada de mim. j&#225; faz um tempo, n&#227;o vou mentir, mas eu ignorei at&#233; onde deu.</p><p>come&#231;ou com um cansa&#231;o; tornou-se a sensa&#231;&#227;o de me perder sem sair do lugar; evoluiu para uma exaust&#227;o em todos os aspectos. agora, sinto como se, simplesmente, em momentos corriqueiros, me puxassem da tomada.</p><p>&#233; a coisa mais normal do mundo sentir-se f&#237;sica, emocional e mentalmente exausto depois de um dia ou semana cheio de atividades, intera&#231;&#245;es e compromissos. e, por um tempo, achei que fosse isso, de cora&#231;&#227;o. s&#243; que come&#231;ou a ficar <em>estranho</em>, a apatia come&#231;ou a me invadir com certa frequ&#234;ncia, sem qualquer gatilho ou motivo aparente.</p><p>&#233; como se uma adolescente lutasse para ser compreendida pela m&#227;e, sabe? s&#243; que eu sou a adolescente e a m&#227;e ao mesmo tempo. </p><p>mas o pior de tudo isso &#233; que essas ocasi&#245;es nas quais me tiram as pilhas e eu apago acontecem <em>justamente </em>depois de picos de energia, fala&#231;&#227;o, risada e hiperatividade. </p><p>leva literais minutos. l&#225; est&#225; menina anita, falando alguma besteira pra fazer os amigos rirem, e logo em seguida, menina anita se cala &#8212; se fecha, se acalma e se aquieta, mas n&#227;o de um jeito bom. e assim fica. respostas mais curtas, &#224;s vezes at&#233; um pouco &#225;speras (sem querer, juro!!!) e aquela <em>terr&#237;vel</em> sensa&#231;&#227;o de estar de saco cheio at&#233; das pessoas de quem menina anita mais gosta.</p><p>d&#225; vontade de fugir, mas tamb&#233;m me d&#225; vontade de n&#227;o fazer nada. vontade de pegar uma bicicleta e sumir; vontade de dormir at&#233; virar parte do colch&#227;o. </p><p>tenho tantos compromissos&#8230; tantas responsabilidades&#8230; tanta coisa pra fazer. me sinto um pouco sufocada e talvez <em>um pouquinho</em> perdida, uma vez que minha mem&#243;ria n&#227;o tem funcionado como de costume. mas sei onde estou, sei o que preciso fazer (quase sempre) e sei da import&#226;ncia de tudo isso.</p><p>mas, se for pra admitir que estou perdida, diria que &#233; dentro de mim. e acho isso bem desagrad&#225;vel e n&#227;o sei lidar. aqui dentro, n&#227;o sei qual lado fica pra cima ou pra baixo, auroras se p&#245;em e ocasos nascem. &#233; chato, pra dizer o m&#237;nimo.</p><p>o mais engra&#231;ado &#233; s&#243; compreender que, no geral, t&#225; tudo <em>bem</em>. talvez sejam oscila&#231;&#245;es de humor quaisquer; talvez seja algo hormonal; talvez seja um deserto; talvez seja sei l&#225; mais o qu&#234;.</p><p>e, infelizmente, minhas responsabilidades me impedem de fazer uma pausa.</p><p>mas a vida &#233; assim. e <em>acho </em>que isso n&#227;o vai durar pra sempre. <s>espero em Deus que n&#227;o, sinceramente.</s></p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#17 - a notícia]]></title><description><![CDATA[(quando a vida puxa nosso tapete)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/17-a-noticia</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/17-a-noticia</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 11 Feb 2026 01:42:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2121d40c-d0f5-45c8-bc7d-75e7ef9a77d5_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>s&#225;bado de manh&#227; eu recebi uma not&#237;cia. eu logo suspeitei que era coisa s&#233;ria quando uma pessoa que <em>odeia telefonemas </em>me ligou.</p><p>eu nem imagino o estado mental em que a pessoa que me deu a not&#237;cia estava, mas a voz embargada e levemente tr&#234;mula me deu uma ideia. o que eu sei, sem sombra de d&#250;vida, &#233; que, por alguns segundos, fiquei sem ch&#227;o.</p><p>foi estranho. intenso. n&#227;o foi a pior not&#237;cia da minha vida, mas foi desesperador.</p><p>antes que voc&#234; tire conclus&#245;es, uma vez que percebi que t&#244; sendo muito misteriosa, n&#227;o, ningu&#233;m morreu. t&#225; tudo bem, a princ&#237;pio.</p><p>entretanto, n&#227;o foi a primeira vez que recebi uma not&#237;cia dessas. o interessante disso &#233; que, antes da primeira, a gente nunca pensa que vai acontecer com algu&#233;m que a gente ama. portanto, depois da primeira, esperamos que nunca mais aconte&#231;a.</p><p>meu av&#244; paterno morreu em decorr&#234;ncia de um c&#226;ncer, mas s&#243; o vi quatro vezes na vida. uma prima do meu pai passou por isso e venceu. um primo da minha m&#227;e est&#225; lutando e fazendo tratamentos no momento. e uma tia minha recebeu a not&#237;cia, fez exames, operou e hoje est&#225; livre e mais saud&#225;vel do que nunca. e uma conhecida minha foi morar com o Eterno depois que o c&#226;ncer dela resolveu voltar pela segunda vez.</p><p>ainda que fossem mil hist&#243;rias de supera&#231;&#227;o e uma &#250;nica hist&#243;ria de perda, <em>sempre</em> vai dar medo. a puxada de tapete da vida nessas horas &#233; real; o ch&#227;o simplesmente desaparece. o est&#244;mago pesa, o cora&#231;&#227;o aperta e os olhos enchem &#8212; e se n&#227;o &#233; isso, a gente fica simplesmente sem rea&#231;&#227;o.</p><p>falei com a noiva dele o dia inteiro, querendo saber de cada atualiza&#231;&#227;o, se estavam dormindo bem, se estavam comendo&#8230; e quando criei coragem para falar com <em>ele</em>? o bonit&#227;o simplesmente virou e disse: <em>&#8220;Vamos vencer essa juntos!! T&#244; em paz, rezando e firme&#8221;.</em></p><p>por mais que tivesse passado o dia dizendo a mesma coisa, ler essa mensagem foi um tapa na cara do meu desespero, do meu pessimismo e da minha falta de f&#233; oculta. </p><p>&#233; muito cedo pra tirar conclus&#245;es e, por sorte, cada dia mais, &#8220;fulano t&#225; com c&#226;ncer&#8221; deixa de ser uma senten&#231;a. </p><p>n&#227;o &#233; simples, mas rogo para que possamos experimentar a paz durante esse momento.</p><p>n&#227;o sabemos o que vai acontecer, mas quero escolher todo dia acreditar na medicina, na alegria e nos milagres, especialmente nos milagres. a &#250;ltima coisa que meu amigo precisa &#233; de gente desesperada e com astral baixo por perto.</p><p>enfim, pe&#231;o desculpas a todos por esse texto misterioso e triste, que provavelmente vai ter erros. s&#243; espero que alguma parte dele inspire algu&#233;m a dar flores e celebrar as pessoas em vida, e a escolher a esperan&#231;a todo dia.</p><p><em>a vida &#233; melhor com esperan&#231;a.</em> vai por mim.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#16 - aos prantos no [insira aqui um lugar]]]></title><description><![CDATA[(palavras soltas de uma pessoa que chora com m&#250;sicas sem prestar aten&#231;&#227;o na letra)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/16-aos-prantos-no-insira-aqui-um</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/16-aos-prantos-no-insira-aqui-um</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Thu, 05 Feb 2026 01:49:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8ca1ce92-5099-43a9-9f59-871e130803d1_1920x1038.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>eu choro ouvindo m&#250;sicas sem nem prestar aten&#231;&#227;o na letra, s&#243; porque a melodia mexeu comigo.</p><p>ou porque j&#225; estou triste.</p><p>ou porque sei l&#225;.</p><p>s&#243; sei que eu choro ouvindo m&#250;sicas sem nem prestar aten&#231;&#227;o na letra, e, de certa forma, isso me lembra da minha vulnerabilidade. se uma bela melodia tem o poder de me fazer chorar <em>de verdade </em>sem motivo aparente, acho que sou mais fr&#225;gil do que gosto de aparentar.</p><p><s>j&#225; chorei at&#233; com m&#250;sicas de artistas que nem gosto.</s></p><p>a quest&#227;o &#233; que, por mais extrovertida, &#8220;livro aberto&#8221; e afetuosa que eu possa ser, eu <em>odeio </em>parecer vulner&#225;vel. odeio expressar quando algo me magoou. odeio chorar na frente das pessoas. simplesmente detesto parecer fraca e fr&#225;gil, mesmo sabendo que &#233; exatamente o que sou. e tenho me tornado cada vez pior em esconder isso.</p><p>o mais engra&#231;ado &#233; ser um paradoxo ambulante. menina anita, que odeia a mera ideia de ser pega chorando, chora no carro. chora no &#244;nibus, chora no mercado, chora no templo, chora na rua, chora no trabalho. </p><p>menina anita (eu!!!) j&#225; chorou no poupa-tempo. acredita?!</p><p>por pior que seja minha autoestima, acredito que sou um pouco arrogante e altiva. por mais que eu seja profissional em autossabotagem e autodeprecia&#231;&#227;o, acredito que, muitas vezes, eu me acho sim melhor que os outros. e chorar t&#227;o f&#225;cil me traz de volta &#224; realidade, me lembra de que sou quebr&#225;vel como cristal.</p><p>talvez isso seja bom. talvez eu <em>precise </em>disso.</p><p>talvez seja bom ser lembrada de que &#233; natural ser vulner&#225;vel. mesmo que nossa natureza nos coloque muitas vezes em modo de sobreviv&#234;ncia, ser vulner&#225;vel &#233; t&#227;o intr&#237;nseco ao ser humano quanto sentir sede ou fome.</p><p>ou talvez eu s&#243; esteja usando o substack pra colocar pensamentos pra fora e me sentir melhor comigo mesma; talvez esteja tentando me <em>convencer </em>de que est&#225; tudo bem em ser vulner&#225;vel e fr&#225;gil, sendo que talvez n&#227;o esteja tudo bem.</p><p>mas eu escolho acreditar que sim, pelo menos hoje, depois de chorar escutando uma sequ&#234;ncia de can&#231;&#245;es completamente nada a ver.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#15 - mais uma morte do artista]]></title><description><![CDATA[(parando pra pensar, n&#227;o sei se j&#225; me considerei um artista...)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/15-mais-uma-morte-do-artista</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/15-mais-uma-morte-do-artista</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 22 Oct 2025 22:12:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7cb7f8dd-a2e0-4298-aca9-264854c3bfc7_768x384.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#233; t&#227;o engra&#231;ado&#8230; achei que n&#227;o ia mais acontecer. devo ter esquecido de que vinte e quatro anos n&#227;o s&#227;o nada.</p><p>n&#227;o consigo escrever nada h&#225; meses, sem exagero. se escrevi dois ou tr&#234;s par&#225;grafos de alguma das minhas hist&#243;rias j&#225; &#233; muito. tudo que tenho sido capaz de escrever, aos trope&#231;os, s&#227;o textos como esse &#8212; desabafos, lamenta&#231;&#245;es, ora&#231;&#245;es, devaneios.</p><p>e, de novo, aos trope&#231;os, <em>pobremente</em>. &#233; o pre&#231;o de trabalhar com o que se ama, ou de trabalhar, em parte, realizando seu pr&#243;prio sonho para terceiros.</p><p>aceitei, depois de um tempo, a chegada de mais uma das minhas mortes, o que alguns gostam de chamar de &#8220;morte do artista&#8221;, ou de algo parecido com &#8220;a partida de um dos meus <em>eus</em>&#8221;. d&#243;i. e demora.</p><p>demora pra notar, demora pra aceitar, demora pra entender e demora tamb&#233;m pra renascer. fico sentada na frente de uma janela imagin&#225;ria, esperando quando chegar&#225; o amanhecer em que tudo dentro da minha cabe&#231;a se far&#225; novo.</p><p>se eu for ser sincera, talvez chamar esse processo esquisito, doloroso e inc&#244;modo de &#8220;morte do artista&#8221; seja demasiadamente <em>limitado</em>. n&#227;o consigo escrever nada; fato. entretanto, n&#227;o foi s&#243; neste caro aspecto que notei um tipo de falecimento, lamentavelmente.</p><p>percebi que, de certa forma, n&#227;o consigo <em>criar</em> nada no momento. sempre coloco minhas hist&#243;rias no mais alto pedestal em import&#226;ncia, mas a amarga verdade &#233; que n&#227;o venho gastando tempo em nenhum dos meus hobbies. </p><p>nunca mais pintei com aquarelas.</p><p>nunca mais fiz artesanato com resina.</p><p>nunca mais mexi com argila.</p><p>nunca mais desenhei nada.</p><p>tampouco criei uma nova fam&#237;lia no jogo <em>the sims 4</em> que me prendesse de vez o interesse.</p><p>n&#227;o &#233; um hobby, claro, mas j&#225; tem alguns dias que deixei de lado o tal do devocional (levando em considera&#231;&#227;o que eu j&#225; tinha perdido um dia ou outro antes de perder de vez o ritmo).</p><p>o que me resta &#233;, diariamente, escolher ou um sil&#234;ncio incapacitante que est&#225; sempre acompanhado de uma monotonia ensurdecedora, servidos generosamente com uma por&#231;&#227;o de in&#233;rcia e desespero, ou escrever estes <em>desabafos, lamenta&#231;&#245;es, ora&#231;&#245;es e devaneios</em> que mais me parecem um labirinto infinito.</p><p>a segunda op&#231;&#227;o parece prefer&#237;vel. pelo menos &#233; o que eu acho.</p><p>me obrigar a passar tempo fazendo e pensando no que realmente importa sempre gera bons frutos.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#14 - um produto]]></title><description><![CDATA[(eu sou, voc&#234; &#233; &#8212; todos somos)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/14-um-produto</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/14-um-produto</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Fri, 17 Oct 2025 15:48:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/24ec6548-e4b4-4b4c-88b6-a2238992c0d2_1024x584.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>eu sou um produto da sociedade. por mais que tentemos fugir disso, <em>&#233; o que somos.</em></p><p>raramente queremos ser como nossos pais, mas raramente conseguimos <em>escapar</em> dos tra&#231;os, trejeitos, manias e at&#233; express&#245;es idiom&#225;ticas.</p><p>sendo assim, uma vez que vivemos em sociedade, somos inevitavelmente moldados por ela em alguns <s>muitos</s> aspectos. </p><p>n&#227;o estou dizendo que somos rob&#244;s numa esteira de montagem em uma linha de produ&#231;&#227;o. podemos pensar e, de fato, muitos de n&#243;s <em>pensam</em> diferente da maioria, o que &#233; &#243;timo e se faz cada dia mais necess&#225;rio.</p><p>h&#225; muitas ideias do coletivo que rejeitamos, n&#227;o s&#243; por serem superficiais ou terem aquela carinha gen&#233;rica de <em>senso comum. </em>h&#225; ideias que rejeitamos porque simplesmente olhamos e n&#227;o conseguimos entender <em>como diabos </em>algu&#233;m pode acreditar naquilo, ou pior, <em>defender.</em></p><p>o mais engra&#231;ado &#233; que, daqui alguns anos, ideias que aceitamos &#8220;numa boa&#8221;, por parecerem ser corretas e equilibradas, ser&#227;o massacradas pela gera&#231;&#227;o que est&#225; se formando agora, nossa querid&#237;ssima gera&#231;&#227;o &#945;lfa.</p><p>algumas das ideias as quais eu rejeito s&#227;o os inalcan&#231;&#225;veis ideais fitness de corpo ideal.</p><p>&#233; importante ser saud&#225;vel. &#233; importante buscar um estilo de vida que beneficie nosso corpo e nossa mente. dietas variadas e exerc&#237;cios f&#237;sicos s&#227;o &#8212; infelizmente &#8212; mais que necess&#225;rios. </p><p>eu entendo isso. qualquer um que comece uma rotina nova com a ajuda de um nutricionista e um professor da academia realmente interessados poder&#225; logo sentir o impacto positivo na qualidade de vida. o simples h&#225;bito de caminhar depois do trabalho pode mudar tudo.</p><p>entretanto, o projeto inalcan&#231;&#225;vel do corpo perfeito &#233; excludente. se voc&#234; n&#227;o se encaixa, voc&#234; n&#227;o importa. voc&#234; &#233; digno de chacota, voc&#234; n&#227;o se importa com a sua sa&#250;de e n&#227;o raro voc&#234; descobre que &#233; invis&#237;vel.</p><p>&#233;. por maiores que possamos ser, <em>pessoas n&#227;o magras </em>n&#227;o s&#227;o enxergadas / vistas / notadas como as magras.<em> </em>academias, lojas, apps de namoro, instagram, etc. quem sabe, sabe.</p><p>e foi assim que eu entendi que sou <em>mais produto</em> da sociedade do que imaginava.</p><p>consigo olhar para outras pessoas gordinhas e ach&#225;-las lindas. consigo ach&#225;-las estilosas, ousadas, originais, aut&#234;nticas e atraentes. consigo olhar para elas e pensar &#8220;uau&#8221;. <s>um &#8220;uau&#8221; que nunca penso quando olho pra mim mesma.</s></p><p>eu olho para elas e a &#250;nica coisa que consigo pensar &#233; &#8220;por que eu tamb&#233;m n&#227;o sou assim?&#8221;. queria ter pensamentos e estilo disruptivos como essas pessoas a quem eu tanto admiro, mas n&#227;o tenho. coisas, imagens, falas infelizes, brincadeiras e <em>pessoas </em>me fizeram ser assim &#8212; a sociedade no micro e no macro.</p><p>eu j&#225; perdi um pouco de peso. eu mudei meus h&#225;bitos alimentares, fa&#231;o mais exerc&#237;cios f&#237;sicos e senti bem o impacto positivo disso. algumas roupas voltaram a caber e outras at&#233; come&#231;aram a cair. </p><p>e isso tudo &#233; &#243;timo! no entanto, ainda n&#227;o estou satisfeita.</p><p>d&#243;i admitir, mas ainda n&#227;o consigo me amar como deveria. e o maior dos problemas &#233; que a &#250;nica pessoa que repara em cada detalhe e os v&#234; como pass&#237;veis de cr&#237;tica sou eu. eventualmente tenho uma <em>ajudinha </em>de terceiros, mas minha maior hater sou eu mesma.</p><p>chat&#227;o, n&#233;?</p><p>por que sou t&#227;o incapaz de olhar para mim mesma com bondade e compreens&#227;o? por que n&#227;o consigo aceitar que essa sou eu <em>agora</em>, e que n&#227;o devo me amar mais ou menos s&#243; porque n&#227;o estou do jeito que eu gostaria?</p><p>ser&#225; que, se eu nunca conseguir atingir o padr&#227;o que eu mesma estabeleci (que n&#227;o &#233; nada irrealista, na verdade), nunca serei capaz de gostar de mim? credo!!!</p><p>tenho dado pequenos passos na busca por esse respeito que devo a mim mesma. n&#227;o vou deixar de reconhecer que mudan&#231;as podem ser feitas e que posso sempre melhorar, mas seria t&#227;o bom poder valorizar quem eu sou agora&#8230;</p><p>talvez um dia eu aprenda. ou talvez n&#227;o.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#13 - sonhos, objetivos e macarrão]]></title><description><![CDATA[(h&#225; coisas que dependem de voc&#234;, mas h&#225; outras que n&#227;o)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/13-sonhos-objetivos-e-macarrao</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/13-sonhos-objetivos-e-macarrao</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 30 Jul 2025 12:10:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7e29338d-83d8-4ae0-8a5a-ac027bea8a9f_1920x1038.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>aprendi cedo, por sorte, que aquilo que voc&#234; projeta n&#227;o poder se concretizar de fato n&#227;o &#233; culpa dos outros. constata&#231;&#227;o esta complicada de engolir em um mundo no qual tudo &#233; culpa do outro.</p><p>mas, <em>caramba</em>, ser&#225; que &#233; assim t&#227;o dif&#237;cil de entender?!</p><p>acredito que &#233; em alguma linha t&#234;nue dentro desta caverna apertada e escura que sonhos e objetivos se separam e diferenciam. sonhos podem ser objetivos e vice-versa, mas h&#225; caracter&#237;sticas e a&#231;&#245;es a serem tomadas que s&#243; pertencem a uma categoria.</p><p>eu sonho em conhecer o jap&#227;o. como parte do sonho, posso planejar o que farei, para onde irei, o que comerei e o que comprarei. n&#227;o h&#225; nada de errado nisso. no entanto, para que este sonho se realize, preciso estabelecer objetivos como <em>guardar uma quantia x de dinheiro </em>e <em>economizar, </em>por exemplo. (n&#227;o tenho conseguido, se quer saber.)</p><p>infelizmente, se minha fam&#237;lia jamais ganhar na mega-sena e eu n&#227;o me casar com um cara rico, a concretiza&#231;&#227;o deste sonho e cumprimento deste objetivo dependa eternamente de mim.</p><p>por outro lado, h&#225; sonhos a respeito dos quais n&#227;o podemos estabelecer objetivos. <em>digo, </em>voc&#234; pode at&#233; <em>tentar, </em>mas garanto que o resultado ser&#225; desastroso.</p><p>conheci uma garota de dezessete anos que foi visitar o pai depois de anos sem v&#234;-lo. os dias foram passando e o la&#231;o foi sendo remendado. por&#233;m, ao descobrir que, em sua aus&#234;ncia, seu pai foi capaz de seguir em frente e, pasmem, <em>ter uma vida, </em>o mundo acabou. a sementinha do &#8220;ser&#225; que um dia seremos uma fam&#237;lia de novo?&#8221; morreu.</p><p>podemos cobrar maturidade emocional e o m&#237;nimo de no&#231;&#227;o de um adolescente? eu digo com firmeza que n&#227;o, afinal nem adultos que s&#227;o adultos h&#225; muito t&#234;m intelig&#234;ncia emocional ou bom senso. </p><p>no entanto, &#233; justo que a pobre garota se sinta tra&#237;da e tenha raiva mortal do pai por querer amar uma nova pessoa e come&#231;ar tudo de novo?</p><p>n&#227;o imagino a dor de quem descobriu agora que alguns sonhos jamais se realizar&#227;o. meu objetivo aqui n&#227;o &#233; anular os sentimentos da pobre menina que ainda n&#227;o conheceu a amargura dos boletos, de forma alguma. </p><p>a quest&#227;o &#233; que o sonho dela dependia totalmente dos outros, e ela n&#227;o foi capaz de entender que a <em>n&#227;o-concretiza&#231;&#227;o</em> dessa proje&#231;&#227;o n&#227;o &#233; culpa dos outros tamb&#233;m.</p><p>antes do dia quatro de julho deste ano, eu n&#227;o me lembrava da &#250;ltima vez que tinha comido macarr&#227;o. </p><p>era uma sexta-feira, v&#233;spera do casamento de uma grande amiga, e a fam&#237;lia que me hospedou fez macarr&#227;o com molho e franguinho para o jantar. sa&#237; da dieta, porque jamais faria essa desfeita.</p><p>sempre tive o sonho de ser bonita, e no momento meu objetivo &#233; perder peso. estou indo bem e isso me deixa contente, por mais que seja um processo lento e tortuoso. <em>e ele depende totalmente de mim.</em></p><p>n&#227;o posso culpar a nutricionista por essa lentid&#227;o. n&#227;o posso culpar os alimentos da dieta por serem <em>t&#227;o menos gostosos </em>do que o que gosto de comer. n&#227;o posso culpar os exerc&#237;cios por n&#227;o queimarem cem calorias a cada minuto, nem os carboidratos por serem t&#227;o apegados ao meu corpinho.</p><p>o que n&#227;o podemos fazer, de fato, &#233; nos culpar quando a culpa tamb&#233;m n&#227;o &#233; nossa.</p><p>culpar o outro e guardar rancor fere a alma, mas carregar culpas que n&#227;o s&#227;o nossas (nem de ningu&#233;m, muitas vezes), nos faz adoecer.</p><p>n&#227;o se culpe. n&#227;o culpe os outros.</p><p>&#233; dif&#237;cil deixar ir, mas n&#227;o &#233; imposs&#237;vel. n&#227;o precisamos ficar pra sempre no escuro.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#12 - alegrias instantâneas]]></title><description><![CDATA[(coisinhas que a vida vai nos dando)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/12-alegrias-instantaneas</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/12-alegrias-instantaneas</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Tue, 17 Jun 2025 19:34:05 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ee74a344-82ab-40dd-9697-9c08d1fb9794_1702x1016.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>preciso urgentemente comer um ramen.</p><p>ramen, l&#225;men, voc&#234; que sabe. <em>eu sei </em>que eu preciso comer um ramen logo.</p><p>j&#225; tem uns anos que esta se tornou minha comida de conforto, mas num n&#237;vel t&#227;o profundo que uma vez eu comi chorando no cantinho de um restaurante, e antes mesmo de chegar &#224; metade da tigela, eu j&#225; tinha um sorriso genu&#237;no no rosto, e o cora&#231;&#227;o do&#237;a um pouco menos.</p><p>n&#227;o sei o que tem naquela tigela bonita de macarr&#227;o, legumes, carne de porco e caldo que me deixa instantaneamente feliz, mas a verdade &#233; que me deixa alegre num piscar de olhos, sem eu nem entender por qu&#234;.</p><p>outras comidinhas me trazem alegria imediata, mas n&#227;o estou aqui para falar s&#243; de comida. se fosse dedicar um texto inteiro &#224;s comidas do meu cora&#231;&#227;o, ningu&#233;m aguentaria ler de t&#227;o grande!</p><p>ver amigos &#8220;fora de hora&#8221; no meio da semana me deixa feliz. at&#233; se for pra ouvi-los desabafar ou servir de ombro pra chorar.</p><p>ver que o n&#250;mero de p&#225;ginas kindle lidas do meu livro cresceu me bota um sorriso duradouro no rosto.</p><p>poder ver um filme na sexta &#224; noite com a minha fam&#237;lia ou me reunir pra um tempo de conversa sincera e comidinhas com meus irm&#227;os de f&#233; abre meu fim de semana de um jeito bem agrad&#225;vel.</p><p>reassistir um epis&#243;dio de <em>avatar: a lenda de aang </em>me faz sentir em paz como poucas outras coisas fazem.</p><p>e assim vai.</p><p>eu n&#227;o tomo mais rem&#233;dios, e isso j&#225; tem um tempo.</p><p>alguns dias s&#227;o mais f&#225;ceis, outros s&#227;o mais dif&#237;ceis, mas digamos que, de forma geral, estou bem. e isso tamb&#233;m me deixa alegre.</p><p>talvez um dia eu precise voltar a tomar; eu n&#227;o sei, ningu&#233;m sabe.</p><p>mas o ponto aqui &#233; justamente este: a vida tem me dado os rem&#233;dios dos quais preciso.</p><p>uma tigela de ramen, reassistir <em>avatar</em>, um papo com um amigo, ver meu livro sendo lido, um filminho em fam&#237;lia, dentre tantas outras coisas.</p><p>como eu disse, alguns dias s&#227;o mais f&#225;ceis, outros s&#227;o mais dif&#237;ceis &#8212; &#233; o que &#233;, a vida &#233; e sempre foi assim. </p><p>em alguns dias meu peito d&#243;i como se meu cora&#231;&#227;o tivesse sido arrancado de dentro de mim, e minha mente me prega pe&#231;as e pegadinhas daquelas que n&#227;o t&#234;m gra&#231;a nenhuma. em muitos momentos eu me vejo perdida, longe de um prop&#243;sito, indigna, ferida e dif&#237;cil de ser amada. mas, por sorte, n&#227;o s&#227;o 100% dos dias.</p><p>em outros dias, momentos, palavras, sorrisos e fotografias me fazem, ao fim do dia, ir para a cama com um sorriso e um suspiro satisfeitos. coisas pequenas, bobas e simples &#8212; mas ainda assim, coisas que me d&#227;o pequenas doses de alegria instant&#226;nea.</p><p>s&#227;o pequen&#237;ssimos acontecimentos. no entanto, aos poucos v&#227;o curando a alma. no dia seguinte aparece algo para atrapalhar &#8212; como quando arrancamos a casquinha de uma ferida que lutou tanto para se fechar &#8212;, mas as coisinhas que me deixam feliz em <em>doses homeop&#225;ticas, </em>como alguns gostam de dizer, est&#227;o l&#225;.</p><p>hoje &#233; um dia ameno, eu diria. n&#227;o sinto aquela dor dilacerante no peito, mas tamb&#233;m mentiria se dissesse que estou bem. </p><p>infelizmente n&#227;o vou comer um ramenzinho, e as p&#225;ginas lidas do meu livro no kindle n&#227;o aumentaram. mas n&#227;o s&#227;o nem cinco da tarde, sabe? talvez venha mesmo algo que me fa&#231;a sorrir.</p><p>entretanto, se n&#227;o vier, tudo bem. deve vir amanh&#227;, e se n&#227;o amanh&#227;, talvez na quinta, ou ainda depois. mas sei que vir&#225;, sempre vem.</p><p><em>nada na vida &#233; definitivo, </em>n&#227;o existe preto-no-branco sem a possibilidade do cinza.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#11 - texto 11 no dia 11 às 11]]></title><description><![CDATA[(n&#250;meros que combinam me d&#227;o grande satisfa&#231;&#227;o)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/11-texto-11-no-dia-11-as-11</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/11-texto-11-no-dia-11-as-11</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Wed, 11 Jun 2025 14:00:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3dafa5f6-b0e8-4a13-8e73-7122c4d63c3b_1272x685.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>nunca fui muito dos n&#250;meros, sempre fui das letras, das palavras.</p><p>n&#227;o creio que n&#250;meros sejam complicados, longe disso. ali&#225;s, o real problema dos n&#250;meros &#233; quando os juntam com as letras.</p><p>escrevo-lhes este d&#233;cimo primeiro texto no dia onze, para ser postado &#224;s onze. onze em ponto, n&#227;o onze e um nem onze e quatro, pois assim n&#227;o me seria t&#227;o satisfat&#243;rio.</p><p>gosto de coisas que combinam. pares com pares, &#237;mpares com &#237;mpares, final zero ou final cinco, preto e branco. nunca entendi o motivo, mas estes <em>padr&#245;es </em>sempre me deram, al&#233;m de satisfa&#231;&#227;o, uma sensa&#231;&#227;o de que tudo est&#225; no lugar.</p><p>tev&#234; no volume 10, caixas de l&#225;pis organizadas por ordem de cor (do frio para o quente), esquentar a comida no micro-ondas por exatos dois minutos, olhar para o rel&#243;gio quando hora e minuto est&#227;o iguais, coisas bobas assim. </p><p>a sensa&#231;&#227;o de ordem, de controle, de <em>uniformidade </em>muito me agrada. a ordem no micro me ajuda a lidar com o caos no macro.</p><p>algo dentro de mim continua nascendo e morrendo todos os dias, como deve ser. o rel&#243;gio zera &#224; meia-noite e as temperaturas t&#234;m se mantido dentro da previs&#227;o, como deve ser tamb&#233;m. tristezas que tomam conta de um dia t&#234;m sumido ao amanhecer do pr&#243;ximo, como esperado.</p><p>mas tudo est&#225; <em>completamente</em> fora de ordem se eu come&#231;ar a olhar mais de longe, se ampliar meu campo de vis&#227;o.</p><p>pessoas continuam sofrendo, injusti&#231;as continuam acontecendo, cora&#231;&#245;es continuam se partindo. crian&#231;as e adultos choram, bens s&#227;o depredados, vidas s&#227;o ceifadas e a natureza clama pelo fim de todas as dores. </p><p>n&#227;o h&#225; paz e acredito que nem haver&#225;. o sangue de nossos irm&#227;os e irm&#227;s clama da terra, fauna e flora caminham para um inevit&#225;vel e doloroso fim, o pr&#243;prio ar que respiramos <em>apodrece </em>(e n&#227;o aos poucos e sim os montes). e aqui permanecemos. alguns olhando para o c&#233;u, outros para o horizonte, alguns para o ch&#227;o e ainda outros olhando para dentro de si mesmos.</p><p>&#233; uma luta constante, mas mesmo que n&#227;o haja paz verdadeira e geral, podemos arranjar nossas doses di&#225;rias de paz por meio da esperan&#231;a inerente ao que &#233; ser humano. </p><p>podemos ver esperan&#231;a em um deus, em uma cren&#231;a, no amor de quem nos ama, no abra&#231;o de uma crian&#231;a, no afeto de um animalzinho inocente. </p><p>podemos encontrar pequenas doses de paz nessa uniformidade, na ordem que estabelecemos no <em>micro</em> enquanto o caos continua no <em>macro</em>. </p><p>e, n&#227;o entenda mal &#8212; n&#227;o se trata de fingir e sim de performar. se n&#227;o h&#225; ordem, n&#243;s a criamos. se n&#227;o h&#225; paz, n&#243;s a inventamos. se n&#227;o h&#225; esperan&#231;a, n&#243;s a buscamos e encontramos. quem nos criou nos fez assim, &#233; assim que somos e &#233; assim que seremos at&#233; partir o &#250;ltimo de n&#243;s.</p><p>por isso eu gosto de n&#250;meros que combinam. gosto de ver minhas canetas bic arrumadas, do azul ao amarelo. gosto de fazer listas e v&#234;-las com marcas de &#8220;feito&#8221;. gosto de ter minha caixa de entrada do gmail em ordem. <em>talvez minha sala e meu quarto n&#227;o estejam em completa ordem, </em>mas sei onde tudo est&#225; e encontro tudo bem depressa, e gosto disso.</p><p>&#233; o que &#233;. </p><p>sou grata pelos momentos ef&#234;meros em que tudo est&#225; no lugar.</p><p>&#8220;mas s&#227;o passageiros&#8221;, sim. mas eles existem, e por isso sou grata.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#10 - todo mundo reparou]]></title><description><![CDATA[(as desvantagens de ser uma mulher tagarela)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/10-todo-mundo-reparou</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/10-todo-mundo-reparou</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Jun 2025 15:38:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f23eab65-4799-4d6a-a224-3e627e66697f_806x452.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>acredito que, infelizmente, o simples fato de ter uma personalidade pode ter um pre&#231;o.</p><p><em>pode, </em>n&#227;o. <em>tem </em>um pre&#231;o.</p><p>quando algu&#233;m &#233; quieto ou t&#237;mido demais, as pessoas se veem no direito de ficar &#8220;incomodadas&#8221; com qu&#227;o &#8220;retra&#237;da&#8221; tal pessoa pode ser. </p><p>quando algu&#233;m &#233; expansivo ou brincalh&#227;o demais, as pessoas se veem no direito de taxar tal pessoa como escandalosa ou imatura.</p><p>quando algu&#233;m &#233; introvertido, mas se sente confort&#225;vel dentro de um grupo de amigos pra falar sem parar, quem olha de fora pode achar que tal pessoa &#233; antip&#225;tica, que n&#227;o gosta de se misturar.</p><p>quando algu&#233;m &#233; simp&#225;tico ou atencioso demais, logo de cara as pessoas querem assumir que quer agradar a todos por interesse, ou pior, que est&#225; dando em cima de todo mundo.</p><p>&#233; bizarro. </p><p>tudo na vida muda. esta&#231;&#245;es, relacionamentos, fisionomias. em um &#250;nico dia podemos enfrentar chuvas fortes, ventanias e mais tarde um sol de rachar. qual a dificuldade de aceitar a mutabilidade e inconst&#226;ncia das coisas?</p><p>coisas que dizemos obviamente t&#234;m consequ&#234;ncias, e talvez seja at&#233; pior em se tratando das coisas que fazemos, afinal muitas vezes palavras e a&#231;&#245;es n&#227;o condizem, e alguns atos gritam mais alto do que mil palavras.</p><p>mas ter de lidar com as consequ&#234;ncias do <em>ser </em>me parece loucura. n&#227;o &#233; uma impress&#227;o: paga-se um pre&#231;o por ser quieto, falante, reservado ou simp&#225;tico demais ou de menos.</p><p>e eis o meu ponto:</p><p>eu falo muito e fa&#231;o muitas piadas. sempre tenho algo a dizer e sempre pedem que eu participe com minhas ideias. sempre escuto as coisas com entusiasmo e, mesmo ouvindo antes de falar, gosto muito de dar conselhos. sou expansiva, amo dar risada e falo alto &#8212; sou filha, neta, bisneta e tataraneta de nordestinos, afinal.</p><p><em>e, por ser assim</em>, perdi o direito de ter dias ruins.</p><p>todo mundo percebe quando pessoas como eu n&#227;o est&#227;o bem. todo mundo comenta sobre o quanto estamos &#8220;quietinhos&#8221;. pessoas com quem temos pouca ou nenhuma intimidade v&#234;m nos perguntar o que aconteceu, por que estamos tristes.</p><p>&#233; assim na fam&#237;lia, com os amigos, no trabalho &#8212; onde quer que eu for. a consequ&#234;ncia de ser uma mulher tagarela &#233; n&#227;o ter meu espa&#231;o respeitado quando estou em um dia ruim, quando estou reflexiva ou at&#233; mesmo quando estou quieta e mais isolada pelo simples fato de estar com c&#243;licas ou enxaquecas.</p><p>ao passo que, quando algu&#233;m v&#234; um t&#237;mido / introvertido se soltando, vira um evento com cobertura nacional, e o pobre do &#8220;quietinho&#8221; volta &#224; estaca zero j&#225; que sua manifesta&#231;&#227;o pessoal e pura de quem se &#233; atraiu aten&#231;&#227;o indesejada.</p><p>pagamos o pre&#231;o pelo que fazemos. sofremos as consequ&#234;ncias daquilo que dizemos. e, pelo visto, n&#227;o estou mesmo errada ao concluir que perdemos alguns direitos simplesmente por sermos quem somos, por termos nossos respectivos <em>jeitinhos.</em></p><p>ser&#225; que &#233; assim que homens criados sob a &#243;tica do rolo compressor machista e dominante se sentem ao se permitirem ser vulner&#225;veis e serem ridicularizados por isso? ser&#225; que &#233; assim que mulheres que correram a vida toda atr&#225;s de uma carreira consolidada se sentem quando acabam sendo &#8220;elas mesmas&#8221; demais e atraem olhares julgadores sobre si?</p><p>&#233; estranho. &#233; bizarro.</p><p>talvez esse seja um dos legados da <em>mis&#233;ria da humanidade </em>que nosso amigo machado de assis desejou n&#227;o transmitir ao decidir que n&#227;o teria filhos.</p><p>uma m&#250;sica que eu gosto muito fala sobre ter perdido a cabe&#231;a sem ningu&#233;m perceber, sobre ter enlouquecido e ningu&#233;m tentar ler a situa&#231;&#227;o. n&#227;o que eu queira perder a cabe&#231;a, mas acho que, em certo n&#237;vel queria isso pra mim. minha personalidade me fadou a jamais poder fazer qualquer coisa que passe despercebida. </p><p>e &#233; s&#243; aqui, entre sess&#245;es de terapia ou ent&#227;o em momentos de muita fragilidade com um ou outro amigo, que encontro conforto o suficiente para falar sobre.</p><p>hoje cedo eu n&#227;o sorri. <em>e todo mundo reparou.</em></p><p>me vi ent&#227;o obrigada a sorrir at&#233; a hora de sair. e, provavelmente, quando chegar em casa, terei que sorrir de novo.</p><p>no entanto, acho que n&#227;o faz mal.</p><p><em>ou faz?</em></p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#9 - maldita inveja santa]]></title><description><![CDATA[(n&#227;o quero roubar o que voc&#234; tem... eu s&#243; queria ter tamb&#233;m)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/9-maldita-inveja-santa</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/9-maldita-inveja-santa</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Thu, 05 Jun 2025 12:47:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fbf35e97-43ad-4ee8-af95-018137a142dc_1920x1038.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;ai que sensa&#231;&#227;o ruim&#8230; (inveja).&#8221; este &#233; um coment&#225;rio/meme muito frequente, que sempre me arranca uma risada ou outra, mas acabou que me peguei refletindo a respeito dele ultimamente.</p><p>j&#225; falei com amigos meus. j&#225; falei com colegas, com o meu chefe. e obviamente falei com a minha terapeuta. todos foram muito acolhedores com os meus sentimentos, e por isso eu sempre serei grata. o problema &#233; que <em>eu </em>n&#227;o consigo ser.</p><p>n&#227;o &#233; algo que me consome mais, e atualmente nem &#233; algo que tem me deixado verdadeiramente incomodada, como uma farpa no ded&#227;o. mas &#233; algo que existe e que est&#225; aqui, que me acompanha, e que eu queria tirar.</p><p>queria ser uma escritora de sucesso igual muitas das minhas amigas. sei de todas as dificuldades, das correrias e principalmente do fato de que nenhuma delas vive desse sonho, fato, mas eu sei que eu tamb&#233;m queria. e eu queria <em>muito.</em></p><p>eu tamb&#233;m queria poder viajar mais. dentro e fora do pa&#237;s, frio ou calor, norte e sul, leste e oeste. vejo fotos, vejo tbts, vejo posts &#8220;dump&#8221; e reels incr&#237;veis das viagens dos meus amigos e a alegria de v&#234;-los felizes e poder ver um pouquinho dos lugares incr&#237;veis para onde v&#227;o sempre &#233; acompanhada de algo como &#8220;caramba, que sonho&#8230;&#8221;.</p><p>eu sei bem que eu queria ser magra e bonita, sempre quis, at&#233; quando eu n&#227;o era uma garota gordinha como sou hoje. anos depois e trinta e quatro quilos depois, eu ainda quero. mas hoje, at&#233; quando olho para outras amigas plus ou mid-size, penso que queria ser como elas. se j&#225; sou uma garota <em>grande, </em>por que n&#227;o posso ser uma garota grande e bonita tamb&#233;m?</p><p>queria manter const&#226;ncia na minha vida e caminhada espiritual. esta &#233; uma &#225;rea sobre a qual eu sei mais, da qual conhe&#231;o bem os altos e baixos, e o que me consola &#233; que <em>todos</em> estamos constantemente falhando. neste aspecto, &#233; muito bom ter amigos sinceros sobre falhas, pregui&#231;as e <em>rameladas</em>. mas eu ainda olho para eles, e ao mesmo tempo em que me inspiro, eu tamb&#233;m queria manter essa const&#226;ncia, ou ent&#227;o pelo menos lutar mais por ela.</p><p>acho que eu tamb&#233;m queria um namorado. digo &#8220;acho&#8221; porque n&#227;o tenho mesmo certeza, afinal depois de muitas conversas com algumas pessoas, cheguei &#224; conclus&#227;o de que, talvez, eu s&#243; queira saber como &#233; ser <em>gostada</em>. ningu&#233;m nunca gostou de mim de um jeito especial (ningu&#233;m nunca me disse nada, pelo menos). vejo pessoas com ci&#250;mes de <em>conversantes </em>e n&#227;o consigo evitar imaginar como deve ser a sensa&#231;&#227;o de saber que, at&#233; que algu&#233;m n&#227;o goste <em>tanto assim </em>de voc&#234;, ainda assim, gosta. &#233; uma coisa que eu tamb&#233;m queria.</p><p>viu s&#243;? fui falando, falando, falando e as linhas foram apenas aumentando.</p><p>e a&#237;, as pessoas que gostam de mim viram para mim e dizem que o que eu sinto n&#227;o &#233; a inveja padr&#227;o e maliciosa, aquela que cobi&#231;a, aquela que eventualmente deseja at&#233; o mal. me disseram que &#233; s&#243; um reflexo dos meus sonhos, dos desejos do meu cora&#231;&#227;o, e que eu n&#227;o preciso me sentir mal por <em>tamb&#233;m querer </em>o que outros t&#234;m, justamente porque n&#227;o sinto que eles precisam deixar de ter para que eu possa ter.</p><p>&#8220;&#233; normal. t&#225; tudo bem se sentir assim, &#233; completamente normal.&#8221;</p><p>pode at&#233; ser. talvez seja mesmo, e talvez eu esteja apenas me martirizando e querendo me convencer, mais uma vez, de que sou uma pessoa ruim.</p><p>mas n&#227;o consigo, de jeito nenhum, deixar de me sentir mal por sentir isso.</p><p><em>tamb&#233;m</em> queria ser uma escritora de sucesso.</p><p><em>tamb&#233;m</em> queria poder viajar pelo mundo e realizar sonhos.</p><p><em>tamb&#233;m</em> queria ser magra e bonita, ou ao menos me sentir bonita sendo gorda.</p><p><em>tamb&#233;m </em>queria ser constante na minha caminhada espiritual, ou ao menos correr atr&#225;s j&#225; que eu digo que &#233; algo t&#227;o importante.</p><p><em>tamb&#233;m </em>queria um namorado, ou ao menos algu&#233;m que, al&#233;m de gostar de mim mesmo que s&#243; um pouco, me fizesse sentir como &#233; ser gostada e desejada.</p><p><strong>tamb&#233;m, tamb&#233;m, tamb&#233;m. </strong></p><p>&#233; a palavra, a part&#237;cula, a <em>condicionante</em> que, na vis&#227;o de todos, me impede de ser classificada como uma invejosa.</p><p>espero conseguir acreditar nisso um dia, de cora&#231;&#227;o. porque me sentir assim, como se ter algo igual ao dos outros fosse algo que eu <em>necessito, </em>me mata tanto quanto o desejo de ter tais coisas ou de saber que talvez algumas delas jamais aconte&#231;am. </p><p>n&#227;o me deixo mais ser consumida pelo peso disso, porque talvez simplesmente n&#227;o seja para ser e pronto acabou, ora bolas. mas, ao mesmo tempo, sinto como se fosse algo feio que me envolve de dentro para fora. ser&#225; que algu&#233;m consegue ver essa feiura tamb&#233;m?</p><p>espero conseguir acreditar nisso um dia, o dia em que simplesmente aceitarei que eu tamb&#233;m posso sonhar e tamb&#233;m posso desejar sem achar que sou t&#227;o indigna.</p><p>no mais, engulo essa minha &#8220;invejinha santa&#8221; e fa&#231;o o que posso. <s>e constantemente, posso muito pouco.</s></p><p>um dia eu ainda vou me convencer de que est&#225; tudo bem.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#8 - sobrevivendo]]></title><description><![CDATA[(a certo custo, por&#233;m)]]></description><link>https://meninaanita.substack.com/p/8-sobrevivendo</link><guid isPermaLink="false">https://meninaanita.substack.com/p/8-sobrevivendo</guid><dc:creator><![CDATA[menina anita]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Jun 2025 19:43:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3aa31b48-0d65-47ae-bc4d-d5e4bdd7667f_1200x630.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>ah, &#233;, a saudade anunciada.</p><p>minha amiga n&#227;o s&#243; deixou a empresa, ela na verdade se mudou para um outro estado. n&#227;o t&#227;o longe, mas bem mais frio. e apesar de j&#225; estar morrendo de saudade, t&#244; feliz demais por ela e pelo passo de f&#233; e coragem que ela deu.</p><p>e, mesmo que tudo mude, ainda sei que eu a tenho, e ela ainda sabe que tem a mim. pode ser pouco, mas &#233; suficiente. pretendo visit&#225;-la e espero, mesmo que demore, que ela possa vir nos visitar tamb&#233;m, pra comermos um bom cuscuz recheado.</p><p>e ela ainda deixou lembran&#231;as!</p><p>um &#250;ltimo almo&#231;o, tr&#234;s bonbons, um par de presilhas, uma carta que me fez chorar &#224;s 7h09 da manh&#227; e um desafio. meu lembrete di&#225;rio de que as miseric&#243;rdias de um tal bom senhor se renovam a cada manh&#227; se foi, mas n&#227;o por completo.</p><p>achei que fosse doer menos, confesso. no entanto, ainda &#233; suport&#225;vel.</p><p>o que na vida n&#227;o se revela ou ao menos se torna suport&#225;vel, n&#227;o &#233; mesmo?</p><p>na sexta-feira, &#224; caminho da casa de uns amigos, fiquei presa no tr&#226;nsito em parais&#243;polis. enfrentei tr&#226;nsito o caminho todo e alguns motoristas e motociclistas que me tiraram do s&#233;rio, mas ficar vinte e poucos minutos presa dentro das ruas estreitas de parais&#243;polis foi o &#225;pice.</p><p>fiquei por vinte e poucos minutos, e acho que chorei por uns quinze.</p><p>chorei por causa de minha saudade anunciada, afinal me despedi dela fingindo que era apenas mais um fim de semana e que <em>com certeza </em>nos ver&#237;amos na segunda-feira.</p><p>chorei pensando naquela minha <em>melhor amiga n&#227;o-t&#227;o-rec&#237;proca</em>, que perdeu o av&#244; e agora tem de lidar com pessoas invalidando seus sentimentos com a desculpa de que est&#227;o &#8220;contando com ela&#8221; para segurar as pontas neste momento t&#227;o dif&#237;cil e delicado.</p><p>e chorei pensando na pessoa que deixei ir. ou melhor, na pessoa que <em>tive de</em> deixar ir, pelo meu pr&#243;prio bem, como voc&#234; caro leitor deve (ou n&#227;o) ter acompanhado nos &#250;ltimos escritos. a tal pessoa mora em parais&#243;polis, e foi uma das poucas coisas superficiais que eu pude saber antes de desistir.</p><p>eu j&#225; desisti, mas meu cora&#231;&#227;o tolo ainda n&#227;o. pois ele que se debata e esperneie como uma crian&#231;a mimada; n&#227;o posso ceder e dar a ele o que quer. n&#227;o podemos ceder a ataques de malcria&#231;&#227;o, queridos irm&#227;os e irm&#227;s.</p><p>j&#225; passei por muitas coisas, e muitas delas bem piores do que as de agora. j&#225; tive meu cora&#231;&#227;o realmente partido, j&#225; perdi pessoas que amava para a morte, j&#225; vi coisas que adorava sendo destru&#237;das. contudo, as dores de agora n&#227;o deixam de ser dores. &#233; idiotice invalidar a pr&#243;pria dor, seja grande ou pequena.</p><p>preciso de bons banhos, dormir mais, terminar minhas tarefas, ver meus amigos, ouvir m&#250;sica, escrever e brincar com gatinhos. preciso <em>ouvir </em>meus amigos, se for pensar bem. de que me adianta passar muito tempo de qualidade com cada um deles e ao final do dia ignorar os conselhos s&#225;bios que alguns deles t&#234;m me dado?</p><p>preciso mesmo dormir mais.</p><p>tudo passa. <em>tem sido custoso</em>, mas tudo passa.</p><p>em certos momentos ser&#225; mais custoso, <strong>bem mais custoso</strong>, sei disso. e de certa forma esta ci&#234;ncia me consola. todo temporal tem fim. por sorte, um certo algu&#233;m governa raios e trov&#245;es.</p><p>at&#233; a pr&#243;xima.</p><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>