#18 - cima é baixo
(não sei lidar com minhas próprias mudanças de humor — se é que são só isso)
não gosto nem um pouco da sensação de não saber o que está acontecendo comigo. não por fora — dentro de mim.
não raro me sinto desconectada do ambiente onde me encontro, me perco no meio das vozes das pessoas, mas não é disso que falo. venho, em várias ocasiões, me sentindo desconectada de mim. já faz um tempo, não vou mentir, mas eu ignorei até onde deu.
começou com um cansaço; tornou-se a sensação de me perder sem sair do lugar; evoluiu para uma exaustão em todos os aspectos. agora, sinto como se, simplesmente, em momentos corriqueiros, me puxassem da tomada.
é a coisa mais normal do mundo sentir-se física, emocional e mentalmente exausto depois de um dia ou semana cheio de atividades, interações e compromissos. e, por um tempo, achei que fosse isso, de coração. só que começou a ficar estranho, a apatia começou a me invadir com certa frequência, sem qualquer gatilho ou motivo aparente.
é como se uma adolescente lutasse para ser compreendida pela mãe, sabe? só que eu sou a adolescente e a mãe ao mesmo tempo.
mas o pior de tudo isso é que essas ocasiões nas quais me tiram as pilhas e eu apago acontecem justamente depois de picos de energia, falação, risada e hiperatividade.
leva literais minutos. lá está menina anita, falando alguma besteira pra fazer os amigos rirem, e logo em seguida, menina anita se cala — se fecha, se acalma e se aquieta, mas não de um jeito bom. e assim fica. respostas mais curtas, às vezes até um pouco ásperas (sem querer, juro!!!) e aquela terrível sensação de estar de saco cheio até das pessoas de quem menina anita mais gosta.
dá vontade de fugir, mas também me dá vontade de não fazer nada. vontade de pegar uma bicicleta e sumir; vontade de dormir até virar parte do colchão.
tenho tantos compromissos… tantas responsabilidades… tanta coisa pra fazer. me sinto um pouco sufocada e talvez um pouquinho perdida, uma vez que minha memória não tem funcionado como de costume. mas sei onde estou, sei o que preciso fazer (quase sempre) e sei da importância de tudo isso.
mas, se for pra admitir que estou perdida, diria que é dentro de mim. e acho isso bem desagradável e não sei lidar. aqui dentro, não sei qual lado fica pra cima ou pra baixo, auroras se põem e ocasos nascem. é chato, pra dizer o mínimo.
o mais engraçado é só compreender que, no geral, tá tudo bem. talvez sejam oscilações de humor quaisquer; talvez seja algo hormonal; talvez seja um deserto; talvez seja sei lá mais o quê.
e, infelizmente, minhas responsabilidades me impedem de fazer uma pausa.
mas a vida é assim. e acho que isso não vai durar pra sempre. espero em Deus que não, sinceramente.
até a próxima.



Te entendo totalmente, é horrível ficar assim e perceber que nem os seus hobbys estão sendo interessantes mais, se perder dentro de si e só assistir seu corpo tomar decisões ou fazer coisas é algo que dói tanto, pelo menos comigo.
Mas fique forte, espero que isso passe logo, assim como torço para passar pra mim também.
Eu amo a forma como você escreve, como se fosse de fato um diário. O melhor conselho que posso dar é procurar fazer terapia, se você tem um tempinho e condições, claro, ajudaria muito. Porque fazer terapia não só quando tem algo patológico, mas quando se sente perdida e desassociando da vida por conta da correria.